Bispo do Porto considera que resignação é reveladora de um testemunho de sabedoria

O bispo do Porto, Manuel Clemente, considerou hoje que a decisão do papa "é reveladora de um testemunho de sabedoria, de coragem e de verdade com que Bento XVI assumiu as funções tão difíceis de sucessor de Pedro".

Em entrevista à Rádio Renascença (RR), Manuel Clemente disse encarar a resignação do papa como "um testemunho de coragem e de verdade".

O bispo do Porto admitiu à RR que "não estava minimamente preparado" para receber a notícia da resignação.

O papa Bento XVI, 85 anos, anunciou hoje, durante um consistório no Vaticano, a sua resignação a partir dia 28 de fevereiro devido "à idade avançada".

Um novo papa será escolhido até à Páscoa, a 31 de março, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, anunciando que um conclave deve ser organizado entre 15 e 20 dias após a resignação do pontífice.

O último chefe da Igreja Católica a renunciar foi Gregório XII, no século XV (1406-1415).

Manuel Clemente afirmou ainda ter estado com Bento XVI no sínodo dos bispos, em outubro, recordando-se de um papa com evidente fraqueza física, mas capaz do ponto de vista mental.

Numa declaração à Lusa, em 21 de abril de 2010, a propósito da visita que Bento XVI viria a fazer ao Porto em 14 de maio seguinte, o bispo Manuel Clemente destacou a "serenidade filosófica e racional" do papa.

"O que eu aprecio no atual Papa - e isto tem sido apreciado mais por setores exteriores à Igreja do que por setores internos - é a serenidade filosófica e racional com que ele encara os problemas", afirmou então.

"Nós", sublinhou, "somos mais pós-modernos, mais saltitantes, mais emotivos, mais apanhados pelo pormenor, quase diria, e perdemos um tanto a noção do conjunto".

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