Metade dos ministros de Passos formou-se no privado

Há uma espécie de coligação entre ensino superior público e privado no seio do Governo: metade dos 12 ministros do Executivo PSD/CDS-PP formou-se em universidades não estatais. E o mesmo aconteceu com quase um terço dos secretários de Estado (12 em 37).

É, no fundo, uma coligação inovadora: se no Governo anterior, do PS, nem 10% dos seus membros tinham estudado no privado (José Sócrates era o único entre os 17 ministros), agora a percentagem total (entre ministros e secretários de Estado) é de 36%. E preenche mesmo os postos mais altos do Executivo, do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, aos ministros de Estado, Vítor Gaspar e Paulo Portas. Os outros são Miguel Relvas, Paula Teixeira da Cruz e Pedro Mota Soares.

O tema do local de formação dos governantes é polémico desde que a controvérsia da licenciatura do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas - em Ciência Política e Relações Internacionais, pela Universidade Lusófona -, se tornou pública. Agora, Relvas não tem qualquer informação universitária na sua biografia oficial no site do Governo. E os ministros contactados pelo DN escusaram-se a justificar a sua preferência por universidades não estatais.

Pedro Passos Coelho é um dos exemplos. Na juventude, deixou a meio o curso de Matemática na Universidade de Lisboa. Mas, em 2001, já pai de família e em horário pós-laboral, licenciou-se em Economia, pela Universidade Lusíada. Então, teve como professora a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque (também formada em Economia pela Lusíada). Agora, há quem diga, pelos corredores da faculdade, que não estão a pôr em prática as teses que lá aprenderam...

Mas, na verdade, a política económica do Governo tem outro rosto, também formado numa universidade não estatal: Vítor Gaspar. O ministro das Finanças - que na apresentação do Orçamento do Estado para 2013 disse querer "retribuir o enorme investimento que o País colocou na sua educação" - fez o mestrado e o doutoramento na Universidade Nova de Lisboa. Contudo, antes, tinha tirado a licenciatura em Economia na Universidade Católica Portuguesa.

Pela Católica (universidade com um estatuto especial - "pública não estatal" - mas considerada parte da rede de ensino superior privado) passou também Paulo Portas. Lá, o ministro dos Negócios Estrangeiros tirou o curso de Direito - como boa parte do Governo - e chegou a dar aulas.

De resto, o Executivo é rico em advogados... e economistas. Tal como Portas, também Assunção Cristas, José Pedro Aguiar-Branco, Miguel Macedo, Paula Teixeira da Cruz e Pedro Mota Soares se formaram em Direito. A ministra da Agricultura passou pela Universidade de Lisboa e os da Defesa e Administração Interna pela Universidade de Coimbra. Os colegas com as pastas da Justiça e da Solidariedade e Segurança Social vieram das privadas.

Paula Teixeira da Cruz terminou o curso na Universidade Livre com uma alta nota final: 16. E, depois, também lá foi professora - passando ainda, como docente, pela Universidade de Lisboa e pelo Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais (do Porto - onde Paulo Macedo também deu aulas).

Já Pedro Mota Soares formou-se na Universidade Internacional (estabelecimento encerrado pelo Estado em 2009, devido a uma grave crise financeira). E também passou pelo privado como docente, dando aulas na Lusófona.

Quantos aos outros homens "dos números", vieram do público. Os ministros da Educação, Nuno Crato (cursou Economia), e da Saúde, Paulo Macedo (Organização e Gestão de Empresas), formaram-se no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) da Universidade Técnica de Lisboa. E o titular da Economia, Álvaro Santos Pereira, passou pela Universidade de Coimbra (antes de rumar ao Canadá, onde se doutorou e deu aulas).

De resto, a exceção à especialização em números e leis é mesmo Miguel Relvas, com a licenciatura que já tanto deu que falar (ver também edição de ontem do DN). Além do ministro, também houve três secretários de Estado com passagens pela Lusófona. E cinco provenientes da Católica, dois da Lusíada, um da Portucalense e um do Instituto Superior de Ciências Educativas. São os membros que completam este Governo de "coligação" entre ensino público e privado.

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