"Ridículo pensar-se que Duarte Lima quer fugir de Portugal"

O ex-deputado e o filho deixaram as instalações da PJ às 9h13 e vão agora ser ouvidos no Tribunal Central de Instrução Criminal. Advogado acredita que há ligação entre esta detenção e o caso que decorre no Brasil.

Duarte Lima e Pedro Lima passaram a noite nas instalações da PJ em Lisboa. Esta manhã, minutos depois das 9h00, deixaram o local em dois carros da Polícia Judiciária rumo ao Tribunal Central de Instrução Criminal, onde chegaram cerca das 9h30.

Pai e filho vão agora ser ouvidos pelo juiz Carlos Alexandre, que depois do interrogatório irá decretar as medidas de coacção a aplicar.

Raul Soares da Veiga, advogado de Duarte Lima, espera que no final do interrogatório seja decretada a medida de Termo de Indentidade e Residência ao ex-deputado.

"Logo veremos, é o que vamos discutir aqui. Mas julgo que o Termo de Identidade e Residência é a medida mais adequada", referiu, não colocando de parte, contudo, que Duarte Lima possa ficar detido preventivamente por se falar em risco de fuga: "É sempre um risco, mas já ficou provado que Duarte Lima não quis sair de Portugal. Aliás, pelo processo pendente no Brasil, não tem qualquer interesse em fugir de Portugal. É ridículo pensar-se nisso. Se há cliente que não quer fugir é o meu".

O advogado do ex-deputado estranhou ainda todo este aparato e acredita que esta detenção pode estar relacionada com o caso que Duarte Lima tem pendente no Brasil, onde é acusado da morte de Rosalina Ribeiro.

"Na altura em que sairam as medidas de detenção do caso do Brasil, disse-lhe que não me espantaria que fosse detido em Portugal através de outro processo. É uma coincidência extraordinária, até porque este caso BPN tem mais de dois anos", referiu, garantindo, contudo, que o antigo deputado "não sabia que ia ser detido", masque tinha sido alertado que por causa do processo que decorre no Brasil "poderia haver um aproveitamento" para esta detenção.

"A grande regra do Direito português, e inclusivamente da Constituição Portuguesa, é que não há extradição de nacionais. Essa regra foi relativizada a propósito do Tribunal Penal Internacional, mas só se pode considerar que há alguma excepção nesta medida e este assunto não tem nada que ver com o Tribunal Penal Internacional", concluiu.

Duarte Lima e o filho foram detidos quinta-feira no âmbito de um caso relacionado com dinheiros do BPN e a alienação de terrenos na zona de Oeiras. O caso envolve ainda o ex-deputado do PSD, Vítor Igreja Raposo, que foi sócio de Duarte Lima.

Todos são suspeitos de fraude, burla e branqueamento de capitais.


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