Jorge Lacão: "Atitude do Governo não é de braço de ferro com ninguém"

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, negou hoje que o Governo esteja a fazer braço de ferro contra a ajuda externa e advertiu que não está obcecado com medo que o céu lhe caia em cima da cabeça.

Jorge Lacão falava aos jornalistas na Assembleia da República, em conferência de imprensa, depois de confrontado com um cenário nas próximas semanas de contínua subida dos juros da dívida portuguesa nos mercados internacionais.

"Entendemos não ter condições nem políticas nem institucionais para assumir a responsabilidade [de um pedido de ajuda externa] e, por outro lado, o Governo tudo está a fazer para evitar que um momento desses venha a acontecer", começou por responder o titular da pasta dos Assuntos Parlamentares, antes de negar que o executivo esteja a travar um braço de ferro com os sectores que consideram inevitável uma intervenção externa.

"O Governo não está a dizer hoje nada de diferente em relação àquilo que avisou solenemente os portugueses. O primeiro-ministro sempre chamou a atenção sobre as consequências gravíssimas que poderiam resultar de uma crise política e, por isso, a atitude do Governo não é de braço de ferro com ninguém, mas a atitude responsável de quem no momento certo avisou o que poderia acontecer ao país", sustentou Jorge Lacão.

Interrogado sobre qual o limite da subida de juros para o Governo evitar o recurso à ajuda externa, o ministro dos Assuntos aludiu às histórias de banda desenhada do Asterix, em que o chefe da aldeia gaulesa tinha um único medo: que o céu lhe caísse em cima da cabeça, embora sempre achasse hoje nunca era a véspera desse dia

"O Governo não está obcecado pela ideia de que o céu lhe caia em cima da cabeça. Mas aqueles que estão obcecados pela ideia de que o céu lhe cai em cima da cabeça todos os dias querem que o dia de hoje seja esse mesmo dia -- e não é essa a nossa atitude", respondeu Jorge Lacão.

Para o ministro dos Assuntos Parlamentares, o Governo "está empenhado em defender o interesse nacional".

"Mas outros estão empenhados em precipitar o país de crise em crise com consequências cada vês mais graves", acrescentou.

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