PGR só agora soube que MP queria tempo

Após os procuradores terem dado conta no despacho final do processo Freeport de que não ouviram José Sócrates por falta de tempo, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, garantiu ontem que nunca colocou aos procuradores "qualquer limitação", seja de "tempo ou lugar".

Em nota enviada à imprensa, Pinto Monteiro adiantou que irá abrir um inquérito de forma a garantir "o integral esclarecimento de todas as questões de índole processual ou deontológica" que envolvem o processo, bem como o apuramento de "eventuais anomalias registadas na concretização de actos processuais".

Pinto Monteiro reforçou que, "durante cerca de seis anos, os investigadores do processo (Ministério Público e Polícia Judiciária) ouviram quem entenderam, onde entenderam e pela forma que acharam conveniente".

O PGR garantiu ainda que nunca foi solicitado qualquer adiamento do processo. "Nem a senhora directora do DCIAP, nem os magistrados titulares do processo requereram qualquer prorrogação de prazo ou invocaram a necessidade da realização de qualquer diligência", explicou.

Foi por isso, segundo garante Pinto Monteiro, com "total surpresa que se tomou conhecimento da invocada necessidade de mais inquirições, questão que só agora se vê suscitada", numa crítica implícita ao facto de os magistrados - titulares do processo desde 1 de Outubro de 2008 - não terem solicitado o adiamento. Recorde-se que no despacho final do DCIAP um grupo de 28 perguntas a Sócrates (ver caixa ao lado) estão no rol de diligências não efectuadas, ficando a percepção de que estas seriam importantes para o processo, como, aliás, o teor das próprias perguntas demonstra.

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