Quando os serviços médicos saíram à rua

O 25 de Abril também levou os médicos para a "rua": um  ano depois era criado o serviço médico de periferia, o passo que antecedeu a criação do Serviço Nacional de Saúde

Se há portas que Abril abriu, uma delas foi a dos hospitais - para deixar entrar médicos (em 1974 Portugal tinha um médico para mais de mil habitantes), e para os deixar sair à rua.

João Camilo fazia, nessa época, o internato de prática clínica no hospital de São José. Lembra-se bem do dia - "Os próprios doentes, de repente, estavam todos bons". Na altura existiam os hospitais centrais e um ou outro hospital fora dos grandes centros, ligado às misericórdias. E depois havia os "João Semana" (a personagem de Júlio Diniz que encarna os médicos de província). Os centros de saúde eram uma criação tão recente (de 1971) quanto pontual. Mas João Camilo tem a memória - vivida - do que se seguiu, o primeiro "fio" da rede de cuidados de proximidade. Deu pelo nome de Serviço Médico à Periferia - jovens médicos que, a partir de 1975, prestavam cuidados clínicos directamente às populações.

À data, uma inovação. "Uma resposta às carências brutais de assistência fora das grandes cidades", como o provou a experiência desses anos - "Houve muita gente que viu pela primeira vez um médico com esse serviço". Há números que ajudam a percebê-lo: em 1974 um terço dos partos não tinha nenhuma espécie de assistência.

O Serviço Médico à Periferia viria a ser um passo importante para uma sigla hoje muito familiar - SNS, o Serviço Nacional de Saúde, que viria a ser criado por António Arnaut cinco anos depois do 25 de Abril, em 1979.

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