Movimento dos Capitães foi "importante" para os PALOP

As expectativas criadas com o 25 de Abril e a descolonização das antigas possessões portuguesas em África foram alcançadas em São Tomé e Príncipe, disse à Agência Lusa o primeiro-ministro são-tomense, Rafael Branco.

"Nunca seriamos um país independente e democrático se vivêssemos sob o jugo colonial", disse Rafael Branco, que considera também o 25 de Abril como "um marco importante" na história dos povos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

"Hoje todos nós olhamos para trás e reconhecemos que, embora convictos de que mais cedo ou mais tarde os nossos povos alcançariam os seus propósitos, a verdade é que, com o Movimento dos capitães de Abril, com a firme decisão de pôr fim ao império colonial português, ficaram criadas as condições para que os nossos povos realizassem a sua mais profunda aspiração à liberdade e independência".

Rafael Branco, um dos pioneiros da luta de libertação de São Tomé e Príncipe, recorda que o 25 de Abril de 1974 impulsionou a luta do único partido são-tomense de então, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), que hoje se encontra no poder.

"Foi um momento importante na luta de libertação do povo de São Tomé e Príncipe, pois a partir de 25 de Abril ficaram criadas as condições para que o MLSTP iniciasse negociações com as autoridades portuguesas, com vista à libertação do país e a sua ascensão para a independência", acrescentou.

Instado a se pronunciar sobre se Portugal, como antiga potência colonizadora, tem cumprido com as suas obrigações para o desenvolvimento das suas ex-colónias, Rafael Branco considerou que "as relações hoje são saudáveis".

"As relações entre Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, baseiam-se num quadro de relações entre estados independentes, onde não existem obrigações particulares", disse o chefe do executivo são-tomense.

"O que existe é o desejo das autoridades dos países independentes que foram colónias (...) baseando-se nos laços históricos culturais e outros, estar à medida do legado histórico que construímos no passado e, através da cooperação mutuamente vantajosa, participar no desenvolvimento desses países", afirmou.

Particularizando o caso de São Tomé e Príncipe, Rafael Branco considerou as relações como "óptimas".

"São Tomé e Príncipe considera Portugal um parceiro estratégico para o seu desenvolvimento sustentável. Temos encontrado da parte do Governo e do Estado português a disponibilidade para, em conjunto, encontrarmos formas solidárias, mas tendo sempre em conta os interesses comuns, de desenvolvermos essas relações que são multifacetadas, e que hoje cobrem todos os sectores de actividade dos nossos países", concluiu.

Mais Notícias