Jardim foi o primeiro a celebrar

Em 1974, Alberto João Jardim foi o primeiro deputado a pedir celebrações no Parlamento da Madeira

A Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) deixou de celebrar o 25 de Abril por decisão da maioria social-democrata. Mas nem sempre foi assim. Em 1977, Alberto João Jardim, então deputado e lider da bancada do PPD-M, foi o primeiro a entregar um requerimento, antes que a esquerda avançasse, com um objectivo: o parlamento da Madeira, recém-criado, teria de comemorar a Revolução dos Cravos, em nome da democracia, da liberdade e da autonomia, conquistada um ano antes com a Constituição de 1976. Nessa época, o PPD também ía a caminho do socialista. Na região, o governo era liderado por Ornelas Camacho tendo sido substituído em 1978 por Jardim, na única remodelação governamental em 31 anos. Até hoje. Sobre as comemorações de Abril o calendário madeirense tem oscilado ao longo dos anos. O PSD já assinalou o day after (26 de Abril ) em sessão solene. Mas para além do registo histórico de 1977, os arquivos demonstram que em Abril de 1999, precisamente há dez anos, Jardim investiu uma verba superior a 60 mil contos para celebrar a data.

"Esta é uma resposta a todos aqueles que diziam que nós não comemoramos Abril ", disse aos jornalistas. Nesse ano, a ALM vestiu-se de vermelho Jardim colocou o cravo na banda do casaco e, mais tarde, numa cerimónia pública na Praça da Autonomia, cantou "Grândola, Vila Morena", dançou com o povo, saudou os "militares puros ue devolveram a liberdade" mas, também, o Bispo do Funchal, Francisco Santana, que em 1974 "se posicionou contra o PCP". No hemiciclo, Jardim chegou a bater palmas ao discurso de Paulo Martins, UDP, enquanto Jaime Ramos, PSD, criticava o Governo de António Guterres. Aos jornalistas, falou do significado da Revolução para as ilhas. "Sem o 25 de Abril nós não teríamos conquistador a autonomia politica", disse. No discurso campal, disse que a Madeira iria alargá-la mas não iria fazê-la contra ninguém "mas pelo Portugal que somos".

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