A TV privada ou o País a ver-se ao espelho

Em 1992 a mira técnica desapareceu do terceiro canal e deu lugar  à SIC. Tinham chegado as privadas. A televisão nunca mais foi a mesma

Seis de Outubro de 1992, 16h30. Tocam os últimos acordes do Hino à Alegria, Alberta Marques Fernandes dá rosto à emissão inaugural da primeira televisão privada em Portugal, pondo fim ao monopólio estatal de 35 anos da RTP.

O enorme complexo que acolhe hoje os vários canais da SIC em Carnaxide era então bem mais pequeno, construído em tempo recorde no que antes fora um armazém para guardar bananas. À data da emissão inaugural, as instalações da SIC eram ainda um "estaleiro". Alcides Vieira, director de informação da estação, recorda que nos primeiros tempos de emissão tudo estava ainda "em obras" - o dia-a-dia decorria ao som de berbequins, desligados na hora dos noticiários.

Três anos depois da emissão inaugural (estava já no ar a segunda privada, a TVI) a SIC torna-se líder de audiências. Tinha então o slogan "Olha a SIC": um piscar de olho ao público com o qual a estação conseguiu construir uma inédita relação de proximidade - pela primeira vez o País via-se ao espelho num ecrã de televisão.

Alcides Vieira diz que a proximidade com o País real era uma ambição e uma marca de toda a informação, mas destaca um título. "Os carros do Praça Pública faziam 300 mil quilómetros por ano por todo o País. Cada vez que um carro nosso aparecia ouvia-se um olha a SIC" - "Trazíamos a realidade do País à televisão as pessoas não estavam habituadas a isso". Entretanto habituaram-se. Afinal já lá vão 17 anos de sucedâneos, sob vários títulos, daquela meia hora diária de denúncia dos problemas de gente comum.

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