Cerimónias com polémica

Nem sequer a cerimónia de homenagem à memória de Diana organizada pelos filhos escapou ao clima emocional, que tornou a acentuar-se à medida que se aproxima um aniversário da morte da Princesa do Povo.

A memória de Diana continua, dez anos após o trágico acidente de Paris, a gerar controvérsia, a alimentar elogios e a suscitar apreciações críticas.


Nem sequer a única cerimónia oficial – uma iniciativa de carácter restrito dos príncipes William e Henry – prevista para amanhã numa capela militar junto ao Palácio de Buckingham, escapou a esta atmosfera, ao saber-se que Camilla, mulher do príncipe Carlos, estaria presente. E que, noutro plano, o pai de Dodi al-Fayed, Mohammed al-Fayed não fora convidado.


Outras figuras ligadas num momento ou outro à princesa e cujo nome não consta da lista de 500 convidados vieram alimentar a polémica das discriminações ordenadas pela família real, garantindo que o seu afastamento se devia ao facto de terem permanecido “fiéis” a Diana após o divórcio. Argumento aceitável em certos casos, mas que dificilmente colhe para Paul Burrell, o mordomo que mais aspectos da vida privada da princesa divulgou nos seus livros. Em muitos casos, com lamentável mau gosto.


Sarah Ferguson, a outra divorciada na família real, eliminou qualquer controvérsia ao anunciar que não estaria presente na cerimónia, que será transmitida em directo por algumas televisões britânicas.


Por outro lado, é a própria figura de Diana a ser alvo de reavaliação. Um editorial de ontem no The Daily Telegraph escrevia que “santa Diana dos desgraçadinhos ainda é capaz de causar perturbações de além túmulo”.


A referência algo sarcástica do jornal “às perturbações” causadas por Diana, “que estava à hora errada no sítio errado com o homem errado”, ligam-se à forma como “o seu legado emocional é glorificado de uma forma que não é realmente saudável”. Uma referência indirecta à atitude das fileiras de admiradores e defensores da Princesa do Povo. Estes multiplicaram declarações públicas contra a presença de Camilla na cerimónia de sexta-feira, por vezes em tom contundente. Nos jornais britânicos chegaram a surgir notícias de ameaças e chamadas anónimas à duquesa da Cornualha depois de se saber do convite.
Assim, apesar da insistência de Carlos, de William e Henry, Camilla teve de recuar. A duquesa divulgou um comunicado explicando que a sua presença “poderia distrair as atenções do propósito da cerimónia” para justificar a ausência.


A escritora Germaine Greer, depois de declarações ácidas sobre a figura de Diana na passada semana, escreveu um artigo no The Sunday Times, em termos demolidores para a princesa. Greer chega a considerar que “tentar passar por um cordeiro sacrificial”, como Diana se apresentou após a separação, “é ignorar que a sua família fazia parte da corte e que ela sabia oque a esperava”. Aliás, se Diana soubesse história, “teria percebido, de imediato, que casar com um príncipe de Gales é caminho certo para a infelicidade (...),por isso, a sua irmã, Sarah, disse não a esse emprego, mas também Sarah sempre foi mais inteligente do que Diana.”

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