Irmandade Muçulmana quer criar partido político

A Irmandade Muçulmana, oficialmente interdita no Egipto ainda que tolerada, anunciou hoje ter a intenção de criar um partido político, na sequência da queda do presidente Hosni Mubarak.

"A Irmandade Muçulmana crê na liberdade de criação de partidos e está determinada em conseguir a sua própria formação política", declarou Mohammed Mursi, membro da comissão política da confraria, num comunicado. "A única coisa que impedia o grupo de o fazer era a lei sobre os partidos, que proibia a criação de qualquer partido sem o acordo do Partido Nacional Democrata (PND)" do ex-presidente Mubarak, explicou. A Constituição egípcia também proíbe a formação de partidos de base religiosa.

Em Dezembro de 2010, quando tinham 88 lugares na Assembleia cessante, conquistados em 2005, a Irmandade boicotou a segunda volta das eleições legislativas, denunciando fraudes em massa e violência em benefício do partido no poder. A confraria islâmica, que apresentava os seus candidatos como "independentes", não conseguiu qualquer eleito na primeira volta a 28 de Novembro. O grupo assegurou que não deseja apresentar candidato às próximas eleições presidenciais.

Há receios no Ocidente de que a Irmandade Muçulmana pretenda a instauração de um regime islâmico após a saída de Mubarak, que ocupava o poder há cerca de 30 anos, mas a Irmandade Muçulmana tem dito não ser a favor de um Estado religioso.

O exército egípcio, que assumiu o poder após a saída de Mubarak, dissolveu o Parlamento e prometeu eleições democráticas nos próximos meses para devolver a liderança do país aos civis.

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