Egípcios tentam evitar destruição de documentos

Milhares de egípcios invadiram hoje vários edifícios da agência de segurança interna com o objectivo de evitar que sejam ocultados documentos que contêm provas de violações dos direitos humanos, segundo a agência de notícias AP.

Vários edifícios da agência foram invadidos por manifestantes nas principais cidades do Egipto, entre eles a sede, no bairro de Nasr City, no Cairo, em cujo complexo terão entrado 2.500 pessoas. "Estamos dentro, centenas de nós", disse Mohammed Abdel-Fattah, um dos manifestantes que invadiram o edifício de Nasr City, em declarações à AP, acrescentando que a invasão aconteceu pelas portas traseiras, pelo que os militares não a conseguiram impedir. "Estamos à procura de documentos e de detidos", explicou, enquanto atrás se ouviam gritos de "Deus é grande".

Os serviços de segurança interna são acusados de alguns dos mais graves abusos dos direitos humanos na repressão aos opositores do regime de Mubarak, que governou o Egipto durante quase 30 anos. Os egípcios têm agora receio de que os documentos que comprovam as atrocidades sejam totalmente destruídos, uma vez que acreditam que muitos já foram triturados. Os manifestantes exigem que a agência seja desmantelada e que os seus líderes sejam julgados, afirmando que, apesar da queda de Mubarak, esta continua activa na protecção ao antigo regime, tentando sabotar a revolução.

O primeiro assalto aos edifícios da agência aconteceu na noite de sexta-feira em Alexandria, quando mais de mil pessoas invadiram o prédio enquanto polícias abriam fogo sobre a multidão. Quatro manifestantes foram feridos e mais de 20 agentes de segurança foram espancados violentamente, segundo testemunhas. O papel da agência de segurança no novo Egipto é uma das questões mais delicadas com que têm de lidar os militares que assumiram o poder no país após a saída forçada de Mubarak a 11 de Fevereiro, após uma revolta popular de durou 18 dias.

A agência foi a força de segurança mais forte durante a era Mubarak, recolhendo informações tanto sobre os adversários como os apoiantes do regime, disse o analista político Ali Hassan Ammar. "A agência foi o cérebro por trás de todo o planeamento durante o reinado de Mubarak", afirmou. Segundo Hassan, após a queda de Mubarak, a agência continua a desempenhar o papel de principal fornecedor de informações para os actuais governantes do Egipto, que não têm a experiência na gestão dos assuntos públicos.

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