Maduro: "Não houve líder mais injuriado que Chávez"

A última homenagem ao presidente venezuelano terminou às 18.30 na Academia Militar. Ainda hoje, Nicolás Maduro tomará posse como presidente interino, numa cerimónia que a oposição vai boicotar.

Na cerimónia de adeus estiveram presentes 33 presidentes. Além da maioria dos dirigentes da América Latina, desde o cubano Raúl Castro ao colombiano Juan Manuel Santos, estiveram presentes o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, e o bielorusso Alexandre Loukachenko, e o da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang. Portugal foi representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

A cerimónia começou com o agradecimento a todos os líderes presentes, seguindo-se a interpretação do hino nacional pela Orquesta Sinfónica Simón Bolívar, dirigida pelo maestro Gustavo Dudamel.

O vice-presidente Nicolás Maduro, colocou depois uma réplica da espada de Bolívias, o Libertador das Américas, sobre o caixão de Chávez, que está coberto com a bandeira da Venezuela.

Seguiram-se as guardas de honra, com os vários presidentes presentes a serem chamados a colocar-se ao lado do caixão, em silêncio. Ahmadinejad foi muito aplaudido. Outra guarda de honra incluiu os "jovens e crianças da revolução bolivariana" e inclui o maestro Dudamel, o piloto de Fórmula 1 Pastor Maldonado, ou o medalha de ouro olímpico em esgrima Rubén Limardo.

Entre guardas de honra, há quem grite "Chávez no murió, Chávez se multiplicó" - Chávez não morreu, Chávez multiplicou-se.

Seguiu-se uma homenagem musical ao presidente, com um medley de música venezuelana, interpretado por Cristóbal Jiménez.

A cerimónia religiosa, que começou cerca das 17.30, foi dirigida por Mario Moronta, bispo de San Cristobál, contando ainda com a presença do reverendo norte-americano Jesse Jackson. Este falou em melhorar as pontes entre EUA e Venezuela: "Vamos perdoar, vamos avançar juntos."

O vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tomou depois a palavra. "A sua alma era tão forte, que o seu corpo não aguentou e o seu espírito expandiu-se por todo o território", afirmou."Não houve líder na história da nossa pátria mais vilipendiado, mais injuriado e atacado tão vilmente como o nosso comandante", acrescentou. "O seu escudo de pureza protegeu-o do ódio", disse num momento emotivo."Perdoamos quem injuriou o presidente Chávez."

Segundo Maduro, o grande testamento de Chávez é a Constituição da Venezuela, aprovada em 1999. "A sua ação, a sua palavra, o seu povo, o povo da Venezuela são o seu testamento", afirmou.

O corpo de Chávez ficará mais sete dias em câmara ardente, sendo depois embalsamando, devendo o seu primeiro local de descanso ser o museu da Revolução.

No exterior da Academia Militar, milhares de venezuelanos estão concentrados para o último adeus ao presidente, que morreu na quinta-feira aos 58 anos, os últimos 14 à frente dos destinos da Venezuela.

Depois das cerimónias fúnebres, o vice-presidente Nicolás Maduro irá assumir oficialmente o cargo de presidente interino. Deputados da oposição já revelaram que não assistirão à cerimónia. A oposição defende que deveria ser o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, a assumir o cargo, já que Chávez nunca tomou posse para um novo mandato e isso é o que prevê a Constituição.

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