Madrid vai usar satélite para vigiar os imigrantes ilegais

Aviões, barcos, mais acordos de repatriamento, dez diplomatas, uma nova embaixada e um satélite. Foram estas as principais soluções ontem apresentadas pelo Governo espanhol para melhor tentar controlar os fluxos de imigrantes ilegais que chegam às ilhas Canárias.

 

No espaço de três dias, deram à costa mais de 900 clandestinos, elevando para seis mil o número de pessoas que chegaram ao arquipélago em embarcações de pesca rudimentares desde Janeiro deste ano.

 

Mediante esta situação, a vice-primeira-ministra espanhola, María Teresa Fernández de la Vega, reuniu-se de urgência em La Moncloa com os ministros do Trabalho e do Interior e com vários altos responsáveis pela área da imigração.

 

No final, de la Vega anunciou, em conferência de imprensa, que o Governo aumentará os meios aéreos e navais de reconhecimento e vigilância e contratará um satélite para determinar com precisão os pontos de partida das embarcações (cayucos).

 

No campo da cooperação e diplomacia, a "número dois" do Governo do PSOE indicou ainda que serão assinados acordos de repatriamento com países como o Gana, Senegal, Camarões ou Cabo Verde. E confirmou a abertura de uma nova embaixada no Mali e o envio de dez diplomatas para a África subsariana, a fim de estabelecer contactos directos e permanentes com os países de onde procedem os ilegais, reconhecendo estar-se perante um problema que é "muito complexo".

 

Após o reforço da vigilância hispano-marroquina no estreito de Gibraltar, na sequência das avalanches de clandestinos nos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla em finais de 2005, as mafias da imigração ilegal passaram a explorar novas rotas a partir da Mauritânia, com rumo às Canárias. Assim, o número de clandestinos interceptados no arquipélago, desde Janeiro, já ultrapassou os de todo o ano passado (4 715).

 

O porta-voz do governo das Canárias, Miguel Becerra, disse haver fortes suspeitas de que as embarcações ilegais são rebocadas por barcos maiores. E pediu a Madrid que interceda junto da UE para que esta dedique mais a sua política externa à questão da imigração ilegal.

 

No mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol anunciou em Bruxelas que a UE vai pedir aos países subsarianos que assumam a "corresponsabilidade" do controlo deste fenómeno, garantindo que há uma "nova atitude" dos 25 face a este desafio. Moratinos considerou essencial a cimeira euroafricana de Rabat, a 11 e 12 de Julho, para fixar compromissos e políticas entre todos os participantes.

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