Ilegais aproveitam cheias para entrar em Melilla

Imigração clandestina nos enclaves do Norte de África.

Várias dezenas de imigrantes clandestinos aproveitaram-se das cheias para entrar ilegalmente em Melilla , cidade autónoma espanhola que faz fronteira com Marrocos e primeiro pedaço de solo europeu em África.


Ao início da manhã de ontem, 65 imigrantes subsarianos tentaram entrar, a correr, em território espanhol, na zona de passagem de Beni Enzar. Foram barrados pela polícia. Mas não se deram por vencidos. 40 deles lançaram-se em seguida por uma valeta e conseguiram passar a fronteira para território espanhol.


As chuvas intensas de domingo destruíram as sofisticadas vedações de segurança erguidas para travar os ilegais africanos que tentam a todo o custo chegar à Europa. A lama e as pedras que a chuva arrastou deixaram desprotegidas algumas das zonas de fronteira com Marrocos.


No espaço de apenas 12 horas, caíram, no domingo, 105 litros de água por metro quadrado, obrigando ao encerramento das fronteiras e deixando a cidade autónoma isolada. Nas últimas três semanas choveu mais do que durante um ano inteiro. "Na minha vida nunca vi nada assim", disse o presidente da cidade de Melilla, Juan José Imbroda.


Os agentes da Guardia Civil ainda correram atrás dos ilegais, alguns com a água pela cintura, mas muitos acabaram por conseguir escapar. "Eles são autênticos atletas", disse um dos polícias espanhóis ontem citado pela edição online do El País.


Três dezenas de clandestinos foram, entretanto, detidos em Melilla , segundo as agências espanholas, mas há ainda um número indeterminado deles por localizar.


Alguns andavam a deambular pelo bairro del Real com a roupa rota e mesmo sem sapatos, tentando encontrar o caminho para a principal esquadra de polícia e evitar serem repatriados de imediato, constatou no terreno a Europa Press.


A Asociación pro Derechos de la Infancia congratulou-se na sua página de Internet com a ruptura das vedações pelas inundações de domingo e expressou a sua alegria. Esta organização tem-se dedicado à defesa dos menores abandonados nas cidades autónomas de Ceuta e Melilla e em todo o resto de Espanha.

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