Kosovo vota a pensar na independência

Voto de hoje é o mais decisivo da história da região

O Kosovo vota hoje em eleições gerais e a maioria albanesa já tem os olhos postos na independência da província que, desde 1999, é administrada pelas Nações Unidas. O mais provável novo primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaçi, já prometeu, aliás, que "imediatamente após o 10 de Dezembro tomaremos decisões como país independente". Os sérvios, minoria de cem mil habitantes num total de dois milhões, tencionam responder ao apelo de Belgrado e boicotar o escrutínio, como fizeram em 2004, mas ao mesmo tempo receiam perder o controlo sobre os poucos municípios que dominam.

10 de Dezembro é a data limite para um acordo sobre o estatuto final da província. Algo em que poucos acreditam, dada a firmeza das posições opostas dos kosovares e da Sérvia. Os primeiros dizem só aceitar a independência e os segundos apenas uma autonomia alargada. Belgrado argumenta que o Kosovo é parte integrante do seu território e alerta para o perigo de o reconhecimento de uma declaração unilateral da independência, pelos EUA e pela UE, abrir um precedente noutras zonas com problemas territoriais.

"Tomaremos as decisões em coordenação com os nossos parceiros internacionais, porque temos assegurado o apoio de Washington e de Bruxelas [pelo menos 22 países da UE]", disse à AFP Thaçi, cujo partido não deve, porém, obter maioria absoluta. O ex-guerrilheiro prometeu que formará um Governo multiétnico, depois de os kosovares elegerem, além de representantes municipais, 120 deputados, 20 dos quais são reservados a sérvios e outras minorias não-albanesas. O boicote dos sérvios, concentrados sobretudo no Norte do Kosovo , está a preocupar a missão da ONU (Unmik) e a missão de observadores da OSCE.

A minoria sérvia vive normalmente em enclaves e sob protecção da força da NATO. A Kfor, que tem 16 mil militares, 297 dos quais portugueses, está atenta a quaisquer sinais de tentativa de secessão dos sérvios no Norte. Na mira da Kfor e da Unmik estão, nomeadamente, dois grupos paramilitares: os Guardas do Czar Lazar (sérvios) e o Exército Nacional Albanês (albaneses/AKSH). Fonte da Unmik disse ao DN que, apesar de tudo, o maior perigo seria uma intervenção militar da Sérvia.

A independência não foi, porém, o único tema desta campanha eleitoral, pois outros houve que preocupam os kosovares no seu dia-a-dia. O desemprego, que afecta metade da população, é um deles e, por isso, os candidatos prometem atrair investimentos e dotar a província de infraestruturas. Como lembra, num relatório divulgado quinta-feira, Drago Flis, investigador do Institute for Middle East and Balkan Studies, em Liubliana, na Eslovénia, "a marcha do Kosovo para a independência pode ainda terminar com um paradoxo politico: o país que tantas guerras e devastações sofreu pode entrar na independência de uma forma pacífica". Uma coisa parece certa: a situação actual é que já não é sustentável, como alertou Joachim Rucker, o líder da Unmik, missão que deve ser substituída, em breve, pela UE.


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