Karadzic comparece hoje perante o tribunal de Haia

Sérvia faz prova de firmeza e entrega detido

Radovan Karadzic comparece hoje perante os juízes do Tribunal Penal Internacional para a ex- Jugoslávia (TPI ex-J), em Haia, para declarar se é inocente ou culpado de genocídio, de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.

O ex-líder político dos sérvios bósnios, preso em Belgrado, depois de andar 13 anos em fuga, foi transferido para Haia durante a madrugada de ontem, numa operação ultra-secreta, horas após uma manifestação em Belgrado contra a sua extradição que terminou em confrontos com a polícia. Ficaram feridos 25 agentes e 21 manifestantes ultranacionalistas.

"A detenção de Karadzic é um sucesso maior na cooperação da Sérvia com este tribunal", declarou ontem o procurador-geral do TPI ex-J, Serge Brammertz, citado pelas agências internacionais. Apesar disso, não está contemplada uma nova avaliação da cooperação sérvia antes da que fora prevista para Dezembro na ONU. A colaboração total de Belgrado com o TPI ex-J é uma condição da União Europeia para acelerar o processo de integração do país.

A Sérvia assinou um acordo de Associação e Estabilização, em Abril, mas até agora a Holanda tem vetado a sua aplicação. Exige que outras figuras procuradas, como o general Ratko Mladic, sejam também entregues.

A reacção de ontem da presidência francesa da UE revela precisamente essas reticências. "A UE saúda a transferência de Karadzic para o tribunal de Haia. E insta a Sérvia a localizar os últimos culpados ainda em fuga."

Ao enviar Karadzic para Haia no dia a seguir à manifestação em Belgrado, a Sérvia procura fazer prova da sua determinação em prosseguir a integração na UE.

O Partido Democrático Sérvio, criado pelo ex-líder político dos sérvios bósnios nos anos 90, deplorou a falta de humanidade da comunidade internacional, ao não permitir que o prisioneiro reencontrasse a mulher e os filhos - que ontem deixaram de ter os passaportes apreendidos pelo gabinete do representante da comunidade internacional na Bósnia.

Este foi também o argumento utilizado pelo advogado de Karadzic, Svetozar Vujavic, que recusou, no entanto, confirmar se tinha ou não enviado um recurso contra a transferência do seu cliente para o tribunal de Haia.

Karadzic pretende defender- -se a si próprio e, segundo alguns especialistas ouvidos pela AFP, fará algumas revelações interessantes sobre a forma como escapou aos ocidentais na Bósnia e sobre a sua relação com o seu mentor Slobodan Milosevic.

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