Belgrado quer sérvios do Kosovo a votar nas eleições de 11 de Maio

A Sérvia tenciona desafiar independência kosovar no tribunal da ONU

Belgrado conta com o voto dos sérvios que vivem no Kosovo nas eleições gerais de dia 11 de Maio, declarou ontem o embaixador sérvio em Lisboa, Dusko Lopandic, numa conversa com os jornalistas.

"Não sei se haverá problemas", acrescentou logo em seguida, referindo-se à actual situação no terreno: os albaneses declararam a independência do Kosovo a 17 de Fevereiro e os sérvios que ali vivem não aceitam a decisão, tal como Belgrado, que reivindica a soberania da província.

"Esta independência é uma violação da ordem internacional, contra a carta das Nações Unidas", disse, confirmando que a Sérvia tencionam pedir a ilegalização da independência do Kosovo na Assembleia Geral da ONU, em Setembro, bem como no Tribunal Internacional de Justiça. As decisões destas instituições da ONU não são, porém, vinculativas.

"Ao contrário do percurso de adesão sérvia à União Europeia [que vai marcar fortemente este escrutínio] estas decisões não dependem de quem vencer as eleições de dia 11 ", explicou o diplomata sérvio, demonstrando, mais uma vez, que Belgrado se apoia na autoridade da ONU e da resolução 1244 para contestar a independência kosovar.

As únicas missões que operam no Kosovo ao abrigo desta resolução, que data de 1999 e reconhece a integridade territorial da Sérvia, são a da ONU (Unmik) e a da NATO (Kfor). E é apenas a elas que Belgrado reconhece autoridade neste momento, garante Dusko Lopandic, sublinhando que para a Unmik ser substituída pela missão da UE, a Eulex, seria necessária uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Belgrado propôs recentemente à Unmik que supervisionasse o seu controlo das polícias e da justiça nas áreas sérvias do Kosovo . Mas a oferta foi rejeitada e entendida por alguns sectores como uma tentativa de partição daquele território.

A maior resistência à independência kosovar tem vindo dos sérvios de Mitrovica, no Norte do Kosovo , que recentemente ocuparam tribunais da ONU e levaram à intervenção da polícia da Unmik e da Kfor. O porta-voz da NATO chegou mesmo a acusar os líderes sérvios de instigarem incidentes deste tipo.

"Não queremos incidentes como os do dia 17 de Março", garantiu o embaixador sérvio em Lisboa, "mas a Unmik é que devia regular a vida dos sérvios no Kosovo ". Neste território vivem cerca de 120 mil sérvios, em dois milhões de pessoas, que Belgrado quer a votar nas legislativas.

No dia 11 de Maio a Sérvia vota em eleições legislativas, municipais e em eleições regionais na província autónoma da Voivodina. O escrutínio foi antecipado pelo primeiro-ministro Vojislav Kostunica, nacionalista, depois de a coligação governamental ter entrado em divergências sobre a posição a adoptar face a uma UE que instigou a independência.

O Kosovo já foi reconhecido por mais de três dezenas de países. No que respeita a Portugal Lopandic diz não saber quando o país vai tornar pública a sua decisão. Belgrado tem retirado os seus embaixadores dos países que têm reconhecido o Kosovo e o mesmo deve acontecer aqui.

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