Partidos de Merkel dão Portugal como exemplo

O vice-presidente dos democratas-cristãos no Parlamento alemão (CDU/CSU), de Angela Merkel, defende a manutenção da austeridade na UE, mas aliada a uma "política de crescimento sensata", como solução para sair da crise, apontando Portugal como exemplo.

A poucos dias das eleições legislativas de 22 de setembro a agência Lusa questionou os principais partidos políticos da Alemanha sobre o rumo que o novo governo deve seguir para resolver a crise europeia (apesar de este não ser um tema preponderante para o eleitorado alemão) e, mais especificamente, sobre o caso de Portugal.

Apesar dos "percalços no programa de ajustamento", a maioria dos partidos continua a apontar Portugal como um "bom aluno" e -- no caso das formações que suportam a coligação de Merkel - até como um exemplo de que a "estratégia solidariedade e responsabilidade" funciona e deve ser mantida.

À Lusa, o vice-presidente do grupo parlamentar dos democratas-cristãos, Michael Meister, disse que a União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, e a sua congénere da Baviera, a União Social-Cristã (CSU), vão continuar a "defender o rumo da consolidação orçamental aliado ao crescimento".

"Portugal cumpre estes requisitos e é um exemplo de que esse caminho está a levar [o país] na direção certa", afirmou. Michael Meister garantiu que os democratas-cristãos, que lideram as sondagens -- mas que dificilmente obterão uma maioria absoluta -- querem "manter todos a bordo da moeda única" e vão "continuar a apoiar os países em crise".

Mas em contrapartida, estes "vão ter de demonstrar uma certa solidez orçamental e uma política de crescimento sensata", aponta o dirgente do CDU/CSU, posição também defendida pelo Partido Liberal Alemão (FDP).

Um porta-voz dos liberais, que também integram a coligação de Merkel, lembrou à Lusa que "grande parte do eleitorado está satisfeito" com a forma como a chanceler tem gerido a crise do euro, pelo que seria errado "mudar de rumo".

O FDP, que têm vindo a descer nas intenções de voto e, segundo analistas, até corre perigo de não conseguir representação parlamentar, lembra que apesar de a crise do euro ser um "tema secundário" para os eleitores alemães, é um assunto "importante" já que estes querem "uma moeda única estável".

Tanto a CDU/CSU como o FDP sublinham que foram os principais rivais, o Partido Social-Democrata (SPD) e Os Verdes, durante os governos de Gerhard Schröder (1998 -2005), que consentiram, em 2001, a adesão da Grécia ao euro, contribuindo assim para "fragilizar a estabilidade do euro" e para os atuais problemas.

O SPD refuta essas críticas e aponta o "fracasso da política de austeridade defendida por Merkel" como principal responsável pela atual situação.

A "necessidade de consolidação fiscal na Grécia é uma coisa", outra é aplicar austeridade em "doses mortais" e "nada fazer para promover o crescimento e reduzir o desemprego jovem na Europa", disse à Lusa um porta-voz do SPD, partido que, em caso de vitória eleitoral, vai bater-se por "uma espécie de segundo Plano Marshall".

O partido Die Linke tece duras críticas à austeridade defendida por Merkel, mas também ao SPD/Os Verdes, que corresponsabiliza pela situação na Grécia e Portugal, já que "sempre apoiaram" a chanceler nessa matéria.

Uma estratégia que, segundo disse à Lusa uma porta-voz, foi um "fracasso total", como demonstra o possível terceiro resgate para Atenas. Este partido "rejeita a política de resgates em troca de uma solidariedade falsa", defende a criação dos chamados 'eurobonds' e um "perdão total da dívida" dos países em crise.

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