Para Merkel só solidariedade não garante força na UE

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu hoje que "solidariedade não garante força", afirmando que os países em crise vão ter que ultrapassar as suas "fraquezas" para que a Europa tenha sucesso.

Angela Merkel falava num comício no pavilhão Tempodrom, em Berlim, na última grande iniciativa da campanha eleitoral para as eleições legislativas que se realizam no domingo.

Nos países em crise, "as fraquezas têm que ser ultrapassadas, porque a crise ainda não acabou", defendendo que da Alemanha terão "solidariedade com responsabilidade".

"Solidariedade só por si não garante força, queremos uma Europa de sucesso, temos que ser competitivos", advogou, afirmando a necessidade de haver estabilidade na Zona Euro.

A chanceler reiterou que, se for reeleita, a Alemanha não será a favor das euro-obrigações, que permitiriam aos países com economias mais frágeis pagar taxas de juro mais baixas, "porque isso não vai ajudar".

"A Alemanha só pode ter prosperidade no futuro se a Europa for forte", admitiu a chanceler democrata-cristã, dizendo aos eleitores: "os alemães não têm que ser arrogantes porque há 10 anos éramos os 'doentes' da Europa".

Merkel referiu que não foi fácil inverter a situação, citando medidas como o aumento da idade da reforma dos 65 para os 67 anos.

Recuando quase cem anos, referiu-se ao início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, para destacar que a Europa viveu "setenta anos de paz" desde então e que "esse é um legado que vale a pena defender" e que "vale todos os esforços" para preservar.

"Quando vou à Grécia ou a Portugal, não é negativo ver as pessoas manifestarem-se contra mim. Agrada-me que o façam, porque mostra que na Europa temos liberdade de expressão, imprensa, movimentos e religião", reiterou.

"Precisamos de amigos, como toda a gente", indicando que a Alemanha exporta "60 por cento" da sua produção para a Europa, 40% dos quais para países na Zona Euro.

Angela Merkel acrescentou que "é no interesse da Alemanha que haja ajudas ao emprego e à economia" dos seus parceiros europeus.

Na véspera das eleições, Merkel fez um apelo aos militantes e simpatizantes da CDU para que conquistem os indecisos que ainda não saibam em quem votar e lhes digam que com os democratas-cristãos novamente no poder "os mais fortes serão recompensados e os mais fracos serão ajudados" na Alemanha.

Pediu ainda que deem ambos os votos - para candidato regional e para chanceler - à CDU.

Entre aplausos de vários milhares de apoiantes que desde as nove da manhã acorreram ao Tempodrom, Merkel garantiu que não aumentará impostos, defendeu a criação de emprego nos setores mais lucrativos e a aposta na educação profissional.

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