O lado sombrio da baixa taxa de desemprego alemã

Precariedade é uma componente do modelo laboral. Daí o debate sobre o salário mínimo, que o SPD quer para todos, mas a CDU só para alguns.

Nos corredores do escritório da Cáritas na Dänenstrasse, em Berlim Oriental, abundam fotografias de bebés. "São de pessoas que ajudámos e que depois, para agradecer, enviam fotos. É como se fossem meus filhos", brinca Renate Stark, que ali trabalha há 22 anos como assistente social. Gente a precisar de ajuda sempre houve, diz, mas agora nota diferenças: os baixos salários e o emprego precário estão a levar cada vez mais alemães ao seu escritório.

"Vem aqui, por exemplo, um homem de 54 anos que faz reposição numa empresa de venda à distância e ganha 3,50 euros à hora há quatro anos e não consegue arranjar nada melhor", conta ao DN, enumerando um valor que anda perto dos 3,03 euros à hora do salário mínimo português. O problema é "que na Alemanha não há salário mínimo para todos e isso faz que as empresas paguem aquilo que lhes apetece. É preciso introduzir um salário mínimo global de 8,50 euros[por hora]", sublinha esta alemã de 55 anos, referindo a principal proposta eleitoral do SPD, partido rival da CDU/CSU nas legislativas de domingo. Merkel, que já culpou o salário mínimo pelo desemprego nalguns países europeus, apenas defende a sua negociação sector a sector e região a região.

Na Alemanha, a taxa de desemprego é de 6,8%, muito baixa quando comparada com a de outros países da UE. A precariedade em que vivem muitos trabalhadores é, porém, o lado sombrio do modelo alemão, apresentado por vezes como exemplo. Trabalho barato, minijobs, trabalho em part-time e temporário, salários de 450 euros dispensados de pagar segurança social... Estas formas de trabalho ocupavam, em 2012, oito milhões de alemães.

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