"A direita não é a vacina do despesismo, é o vírus"

Marisa Matias atacou duramente a coligação, mas também não poupou o PS. Está "chocada" por ter hoje sabido que, nos 11 concelhos de Aveiro, há 40 famílias por dia com água cortada.

A cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) às eleições europeias tem evitado nesta campanha a 'picardia' política, centrando as ações nos problemas dos vários setores do país. Mas hoje, como sublinhou perante uma sala cheia do Teatro Aveirense, não aguentou. "Tenho mesmo de responder a Paulo Rangel", que na campanha da Aliança Portugal afirmou que a direita era "a vacina contra o despesismo". Pergunta Marisa, retoricamente, "pode repetir?!! É que gostava de perceber qual é a parte que não percebe que em três anos de austeridade a dívida pública aumentou para 130% do PIB; que os 27 mil milhões de cortes nos salários, nas pensões, na escola pública, na saúde, reduziu o défice em apenas 9 mil milhões de euros e deitou ao lixo 18 mil milhões que eram nossos!!".

Marisa Matias não tem dúvidas: "a direita não é a vacina contra o despesismo; a direita é o vírus o despesismo!" E atacou mais forte ainda: "a coligação dos submarinos não tem vergonha? Pode repetir?". A "vacina contra o despesismo é o contrário da austeridade, é a reestrutuação da dívida, é a recusa do Tratado Orçamental. É colocar o emprego, o ambiente, o Estado social, os serviços públicos no centro da política. É um projeto europeu que se preocupe mais com a coesão social, do que com a reposição dos lucros dos mercados financeiros".

A eurodeputada bloquista não escondeu a sua emoção, quando contou que à tarde, numa reunião com a delegação de Aveiro do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local, tinha ficado a saber que, nos 11 distritos do concelho há, todos os dias, 40 ordens para cortar a água em habitações. "É indigno de nós, é uma questão de direitos humanos e o BE tem defendido a necessidade de criar um sistema de consumos mínimos, como acontece em muitos países da Europa, de água ou luz, a que as pessoas têm direito, quer paguem ou não".

Antes, o coordenador nacional do BE, João Semedo, dedicou grande parte do seu discurso a demonstrar como o PS "quer enganar a esquerda", referindo-se às 80 propostas apresentadas esta semana por António José Seguro. Semedo assegura que "a maioria dessas propostas são chumbadas pelo Tratado Orçamental europeu, assinado pelo PS,pelo PSD e pelo CDS". "Quando a esmola é muita, o pobre desconfia e aqui há mesmo razões para desconfiar". O dirigente do BE desafiou mesmo o PS a decidir: "ou as 80 medidas, ou o Tratado Orçamental!"-

João Semedo indicou também algumas 'provas' da "ilusão" que é o voto no PS. "Quando se demitiu Vítor Gaspar e Paulo Portas, quando o Governo estava demitido e Cavaco Silva veio pedir consenso, quem estendeu a mão à direita? António José Seguro. O PS podia ter-se virado para a esquerda, mas deu a mão à direita. Passado quase um ano e vimos bem o que o povo sofreu por causa dessa mãozinha que o PS estendeu à direita", lembra. E salienta também que a "escolha de Seguro para cabeça de lista para as eleições europeias, Francisco Assis, é um dos maiores defensores do entendimento do PS com direita, o 'centrão' dos interesses".

Aliás, sobre Assis, ironizou forte Filipe Soares dos Santos, no mesmo comício. "Se olhasse a um espelho e perguntasse: espelho meu, espelho meu, há alguém que vote como eu? Há. A direita em Portugal. No jogo da 'raspadinha' europeia do PS, do PSD e do CDS, nunca sai prémio.Sai sempre o Tratado Orçamental, com mais austeridade!".

Centra a votação no BE, de todos aqueles que foram "enganados" pelo PSD e pelo CDS, e por aqueles que não de querem deixar "enganar" pelo PS, que tem um projeto de esquerda europeia com o recentemente vencedor na Grécia, o partido de esquerda radical, Syriza, de Alexis Tsipras, é a "solução" para uma "nova europa".

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