Obama volta a subir à medida que o efeito Palin se dissolve

Senador está dois pontos à frente do rival McCain.

A 47 dias das presidenciais americanas, a corrida à sucessão de George W. Bush entrou numa fase mais agressiva. E depois de uma semana em que tudo valeu na troca de ataques - até mesmo o batom de Sarah Palin - a economia parece ser a última arma encontrada pelos dois candidatos à Casa Branca.


Enquanto os americanos assistem à falência dos maiores bancos de investimento do país e temem uma recessão, Barack Obama aproveita para repetir que é preciso "mudança". Já o republicano John McCain, após uma subida nas sondagens impulsionada pelo anúncio de Palin como sua vice, está agora a perder terreno, tendo desmentido ontem o que afirmara na véspera.
Depois de se ter manifestado contra o salvamento da seguradora AIG da falência pela Reserva Federal americana (mais informação nas paginas 6 e 7), o senador do Arizona veio ontem dizer que não era isso que queria dizer e admitiu que a intervenção do banco central americano era essencial para salvar "milhões de pessoas cujas reformas, investimentos e seguros estavam em perigo". Até recentemente, McCain era um defensor da menor intervenção do Estado, mas em Março já admitia que o Governo deve estar atento.


Considerado pelos americanos como mais apto a lidar com os problemas da economia, Obama está a ser o principal beneficiado com esta crise. O candidato democrata estava em queda nas sondagens desde o anúncio, a 29 de Agosto, de Palin como vice de McCain. Atacada pelos media devido à sua falta de experiência (vai a meio do seu primeiro mandato como governadora do Alasca), Palin, com um filho no Iraque, uma filha adolescente grávida e um bebé com síndroma de Down rapidamente conquistou o eleitorado mais conservador. Afinal, esta antiga miss Wasilla (cidadezinha de nove mil habitantes de que, mais tarde, foi mayor) é membro da NRA , o poderoso lóbi das armas, gosta de pescar e de jogar hóquei e é contra o aborto.


Este apelo junto dos conservadores - que desconfiam do currículo demasiado liberal de McCain - e a atracção que exerceu junto de algumas mulheres, descontentes com o afastamento de Hillary Clinton, colocou o candidato republicano na liderança das sondagens a nível nacional. Para os analistas, a questão era saber se esta era uma tendência para manter ou se se tratava apenas de um momento. A vice de McCain voltou ontem à campanha com o senador do Arizona e devia responder às perguntas de cidadãos pela primeira vez.


A acreditar nos últimos estudos, o chamado "efeito Palin" estará a perder potência. Obama voltou a ultrapassar McCain. Uma sondagem Gallup dá dois pontos de vantagem ao candidato democrata, que na noite de terça-feira para ontem esteve em Hollywood, onde terá recolhido nove milhões de dólares.
Apesar desta subida a nível nacional, Obama continua em dificuldade em estados cruciais para a vitória nas presidenciais de 4 de Novembro, como é o caso do Ohio e Pensilvânia, onde está praticamente empatado como rival republicano.

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