Obama vence presidenciais nos estados mais decisivos

A América virou uma decisiva página da sua vida política culminando a mais emocionante campanha eleitoral de sempre, que se prolongou por dois anos e custou acima de mil milhões de dólares. À hora do fecho desta edição, as sondagens à boca das urnas apontavam para uma vitória de Barack Obama em estados considerados decisivos, incluindo Florida, Ohio, Pensilvânia e Carolina do Norte.

Uma fortíssima tendência favorecia Barack Obama em estados cruciais, hoje de madrugada, na contagem final da campanha presidencial americana. Segundo projecção da CNN, o candidato democrata garantira a vitória na Pensilvânia (21 votos eleitorais). Além desta vantagem, Obama podia vencer em Indiana e Florida, tornando quase impossível a recuperação de John McCain.


Virgínia e Ohio estavam ainda numa fase inicial da contagem, com os dois candidatos próximos. Mas na Carolina do Norte (vital para McCain), desenhava-se vantagem para Obama , com 8% dos votos contados. A participação foi muito elevada (65%).


As projecções mostravam que os democratas estavam muito à frente dos republicanos nas corridas para o Congresso, quer no Senado quer na Câmara dos Representantes. Desenhava-se, assim, uma maioria democrata em todos os órgãos de poder.


A eleição não decorreu sem incidentes, sobretudo devido às filas nas mesas de voto e à complexidade dos boletins. Os eleitores escolhiam xerifes, juízes, senadores, deputados e, finalmente, um presidente. Todos esses cargos e, nalguns casos, outros tantos referendos, estavam ontem sujeitos a votação. Mas era o novo inquilino da Casa Branca que mais interessava aos cem milhões de americanos que acorreram às urnas.


No derradeiro dia da mais longa campanha presidencial, após terem sido gastos mais de mil milhões de dólares pelos dois candidatos - valor recorde -, a América escolheu o homem que vai suceder a George W. Bush. A escolha começou à meia-noite (5 da manhã de ontem em Lisboa) em duas pequenas cidades do estado de New Hampshire. Em Dixville Notch e Hart's Location - as duas juntas contabilizam poucas dezenas de eleito- res -, Obama venceu McCain, no que já era visto, então, como um prenúncio do resultado final.


Horas depois, pela madrugada fora, por toda a costa leste dos EUA, formavam-se longas filas à entrada das assembleias de voto. Barack Obama foi o primeiro dos candidatos a votar: ao lado da mulher, Michelle, e acompanhado pelas duas filhas, Sasha e Malia, o democrata chegou cedo à sua assembleia de voto numa escola primária, em Chicago, no Ilinóis. "Eu votei," disse, falando às dezenas de eleitores que o aplaudiram à saída da sala. "Sinto-me muito bem," acrescentou, enquanto cumprimentava os apoiantes e antes de viajar para a vizinha Indiana, um dos estados indecisos, para incentivar os eleitores.


John McCain votou em Phoenix, no Arizona, no Sudoeste, com a mulher, Cindy. O republicano saiu sem fazer declarações e viajou para o Novo México e Colorado, tradicionais bastiões republicanos em risco de se pintar com o azul democrata.


O apelo ao voto foi uma constante durante toda a campanha para a presidência e um dos pontos fundamentais da estratégia dos dois candidatos que arrastaram para as cabinas de voto grupos - como os negros, os jovens ou as mulheres - que até agora se tinham mantido longe da política e com isso mudaram as cores do mapa dos EUA.


Mais de 29 milhões de americanos votaram por antecipação. Apesar dos receios de caos - repetindo a história das últimas duas eleições presidenciais -, os problemas foram pontuais. Em Nova Jérsia e na Virgínia, um problema com as máquinas de voto obrigou os eleitores a votarem através de boletins de papel, o que atrasou a votação algumas horas. Na Carolina do Norte, falhas de electricidade suspenderam o escrutínio por curtos períodos. Em Nova Iorque e na Florida, a cadeia de cafés Starbucks oferecia bebidas quentes aos cidadãos que faziam fila, muitos deles à chuva.


Democratas e republicanos trocaram acusações de fraude eleitoral nos últimos dias e tinham equipas de advogados prontos para levar a eleição a tribunal. Mas a menos que a contagem dos votos dê um diferença mínima, não é crível que avancem para uma acção judicial e deixem espaço ao novo Presidente para tomar as rédeas do poder.

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