Debate Obama 'vs.' McCain com crise em pano de fundo

Após dois dias de impasse, o republicano McCain anunciou que tencionava participar no primeiro frente-a-frente com Obama. O candidato recuou depois de ter suspenso a campanha e dito que só iria ao Mississipi se houvesse acordo sobre o plano para a crise económica.

Eram 11.30 quando John McCain pôs fim a três dias de suspense e anunciou a intenção de participar no primeiro debate a dois destas presidenciais americanas com Barack Obama . O candidato republicano recuou assim, após ter garantido que não estaria presente em Oxford, no Mississípi, a menos que houvesse um acordo sobre o plano da Administração Bush para salvar a economia americana da crise, que ontem se voltou a agravar.


Apesar de serem os próprios republicanos a bloquear o acordo sobre o plano de 700 mil milhões de dólares destinado a salvar o sector económico, o partido terá pressionado o candidato a participar no debate. Segundo o jornal online The Politico, os responsáveis republicanos terão considerado que McCain ia sair "malvisto" se recusasse encontrar-se com Obama às 21.00 (madrugada de hoje em Lisboa). Mas o senador, tal como o seu adversário democrata, já garantiu que regressara a Washington mal termine o debate.


Apesar de a política externa e a segurança nacional serem os temas deste primeiro frente-a-frente entre Obama e Mc-Cain, todo o contexto de crise fez da economia um assunto incontornável nos 90 minutos em que os candidatos à Casa Branca deviam responder às perguntas do mediador da PBS, Jim Lehrer.


Iraque, Paquistão, nuclear e relações com a Rússia foram relegados para segundo plano pelas sucessivas ameaças de falência dos maiores bancos de investimento dos EUA. "Se não falarem acerca da economia, ambos saem a perder", disse ao Washington Post o estrategista republicano Alex Vogel.
Ambos experientes em debates - só nesta campanha McCain já participou em 16 e Obama em 21 -, os candidatos à sucessão de George W. Bush na Casa Branca sabem que os debates podem não decidir umas eleições, mas que podem influenciar o resultado. E muitas vezes, como escreveu o Washington Post, "não é tanto o que os candidatos dizem mas mais o que aparentam".


Depois de dizer em comunicado "vamos ao debate", a campanha de McCain garantiu ainda que o candidato decidiu retomar todas as acções de campanha. Na quarta-feira à noite, o republicano anunciara a suspensão da sua campanha e a sua ida a Washington para ajudar a resolver a crise. Ao pedido de adiamento do debate feito pelo republicano, Obama respondeu: "Vai fazer parte das funções do Presidente lidar com mais de um assunto ao mesmo tempo."


O candidato democrata viu-se, no entanto, forçado a viajar até à capital para um encontro convocado pelo Presidente Bush que decidiu reunir os líderes do Congresso e os candidatos à sua sucessão para tentar uma solução para a crise financeira. O encontro terminou sem avanços. E apesar do optimismo manifestado por McCain e Obama , ontem o Congresso continuava sem chegar a acordo, com os congressistas republicanos a apresentarem propostas de alteração ao plano apresentado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson.


Este impasse levou responsáveis democratas, como o presidente da Comissão dos Assuntos Bancários do Senado, Christopher Dodd, a acusarem os republicanos de estarem a tentar mais preocupados em salvar a campanha de McCain do que com a economia americana.


A menos de seis semanas das presidenciais, marcadas para 4 de Novembro, os candidatos tinham ontem como alvo os eleitores indecisos. Nos últimos dias, a crise financeira parece ter feito pender as sondagens a favor de Obama, considerado mais credível nesse assunto. O democrata está a ganhar terreno em vários estados-chave, como a Pensilvânia.

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