Biden vence debate mas Palin supera expectativas

A um mês das eleições, o frente-a-frente entre os candidatos à vice-presidência parece não ter alterado o rumo da campanha. O democrata Biden evitou as gafes e mostrou-se seguro em política externa. A republicana Palin surpreendeu os espectadores pela positiva.

Com um mês exacto para as presidenciais nos Estados Unidos, a campanha do republicano John McCain estava ontem à procura de uma estratégia para dar um empurrão ao seu candidato. Um dia depois do único debate entre os vices, os meios de comunicação americanos eram praticamente unânimes: o democrata Joe Biden ganhou o frente-a-frente em Washington, apesar de Sarah Palin ter superados as expectativas.


"Sarah Palin atravessou o debate sem provocar grandes estragos no ticket republicano", escrevia ontem o New York Times. O diário sublinhou que este frente-a-frente "não alterou os dados fundamentais: McCain fez uma escolha totalmente irresponsável, quebrando a imagem de homem maduro, honesto, experiente, sensato e com princípios".

Estrela da campanha quando foi anunciada como vice de McCain em finais de Agosto , a governadora do Alasca conseguiu, na altura, empurrar o candidato republicano para a liderança das sondagens. Mãe de cinco filhos, conservadora e membros do maior lóbi das armas americano, esta mulher de 44 anos revelou-se uma lufada de ar fresco, seduzindo as mulheres e a direita religiosa.


Mas à medida que foi dando as poucas entrevistas desde a convenção, Palin revelou sinais de insegurança, confirmando os receios dos que a acusam de inexperiência em política externa.


No final do debate, as sondagens realizadas pela CNN e CBS davam a Biden uma vitória clara. Mas mais de 80% dos inquiridos responderam terem ficado positivamente surpreendidos pela prestação de Palin.


Na imprensa, a candidata republicana ao segundo cargo de maior destaque na Administração americana, também recolhia algumas opiniões positivas. O conservador Wall Street Journal escreveu que Palin "fez mais do que defender-se", sublinhando que a governadora conseguiu até marcar pontos na área da política externa, na qual Biden, senador há 35 anos e três vezes presidente da Comissão para a Política Externa do Senado, tem mais experiência.


Propenso a gafes - é famosa a sua saída já durante a campanha de que Obama é "o primeiro afro-americano, limpo, inteligente, bem-parecido e de discurso articulado" que conheceu - Biden mostrou-se prudente. Sem deixar uma impressão marcante, o senador do Delaware conseguiu passar o teste do debate sem cometer nenhum deslize.


Um dos aspectos que os meios de comunicação ontem destacavam era o facto de ambos os candidatos se terem mostrado muito seguros, prova de que os longos dias de ensaios e treino permitiram respostas estudadas e articuladas.


A faltar um mês para ser conhecido o sucessor de George Bush na Casa Branca, a campanha já retomou. Obama esteve na Pensilvânia, um dos estados que podem decidir as eleições. McCain, por seu lado, anunciou que não irá fazer campanha no Michigan, onde as sondagens o dão a uma grande distância de Obama . Em declarações à FOX News, Palin disse discordar desta decisão e estar empenhada e, lutar contra os problemas económicos daquele estado.

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