A tempestade financeira de John McCain

A crise financeira americana não está apenas a decapitar conselhos de administração bem pagos e accionistas nervosos. Se aumentarem as dificuldades de financiamento das instituições, a turbulência terá graves efeitos políticos. O terreno parece armadilhado para John McCain, mas há outras vítimas potenciais, a começar pelos europeus (recessão alemã), e a acabar em Moscovo, onde um inesperado vendaval financeiro, no início da semana, forçou a Rússia a uma pausa de humildade.


Esta semana, ocorreu a maior intervenção governamental de sempre nos mercados financeiros, desde a Grande Depressão de 1929. No dia 8, as autoridades tinham nacionalizado a Fannie Mae e Freddie Mac, mas na segunda-feira deixaram cair o banco de investimento Lehman Brother (a maior falência de sempre) para dois dias depois salvarem a AIG, a maior seguradora mundial. Segue-se agora um plano de salvamento verdadeiramente colossal.


A crise pode ser a maior de sempre, pode agravar-se, ter novos episódios, suavizar por uns tempos. No entanto, continuará a ter efeitos económicos graves: redução do crescimento e aumento do desemprego. Os ingredientes para consequências políticas, a começar nas eleições americanas.


Barack Obama sente a oportunidade e tenta atacar McCain. Num novo anúncio de TV, os democratas lembram que, desde o início do ano, 600 mil americanos perderam o emprego. Os seguros de saúde estão mais caros e cobrem cada vez menos problemas. Em cada dia, quase dez mil americanos falham no pagamento de hipotecas.


A angústia transmite-se às sondagens. Estas devem ser analisadas estado a estado, pois a votação, daqui a sete semanas, será indirecta (é eleito um colégio eleitoral). Em cada estado, basta ganhar por um voto para ter todos os eleitos locais do colégio. E neste último é necessário somar 270 votos. Cada candidato tem uma dezena de estados onde ganhará facilmente, outra dezena onde possui vantagem. E tudo se joga na dezena que resta, casos como Indiana, Colorado, Florida, Michigan, Nevada, Ohio.


O desemprego está a subir, tendo passado de 5,7% para 6,1%, só em Agosto. Vendo as sondagens, vários estados onde há mais desempregados já estão decididos a favor de Obama (Ilinóis, Califórnia); a grande excepção é o Mississípi, que tem a segunda maior taxa de desemprego nos EUA e onde McCain soma 15 pontos de avanço. Mas há também dois casos de quase empate, Ohio e Michigan, onde a taxa de desemprego está acima da média. Aqui podem estar as oportunidades para Obama consolidar a sua ligeira vantagem nacional.

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