'Gays' pedem a Francisco mais abertura do que Bento XVI

Várias associações "gay" receberam hoje com ceticismo a escolha para papa do cardeal argentino Jorge Bergoglio, que no passado condenou o casamento homossexual, e pediram mais abertura do que a demonstrada por Bento XVI em relação às suas causas.

Para Andrew Banks, diretor da associação gay All Out, a escolha de Jorge Bergoglio para papa renova o "compromisso da Igreja em oposição à igualdade" para lésbicas, gays, bissexuais e transgénero (LGBT), quando Francisco tem um "longo historial" de "retórica anti-gay".

"O rebanho católico em todo o mundo tem pressionado os seus líderes a reformar e modernizar a Igreja e vai ter de pressionar ainda mais agora que os seus líderes mostraram que não estão a ouvir o seu apelo para que as pessoas LGBT sejam incluídas como membros completos e abertos da Igreja", disse Banks em mensagem enviada por e-mail.

Na relação do ex-arcebispo de Buenos Aires com a Presidente argentina, Cristina Kirchner, o ponto mais tenso terá sido, de acordo com o jornal Clarín, a discussão sobre a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

"Bergoglio foi o rosto da marcha contra o casamento gay, e opôs-se rotundamente ao projeto que havia de tornar-se realidade", escreve o jornal.

A edição online do periódico La Nacion escreve que Bergoglio é um "jesuíta de carreira", e descreve-o como "acérrimo opositor ao casamento 'gay' e ao aborto".

Herndon Graddick, presidente da Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação (GLAAD, na sigla inglesa), disse esperar que Francisco "troque os seus sapatos vermelhos por um par de sandálias e passe menos tempo a condenar a muito mais tempo a lavar pés", como Cristo.

"Há décadas que a hierarquia católica precisa desesperadamente de reforma. Na sua vida, Jesus nenhuma vez condenou os gays. No curto papado de Bento XVI, ele tornou prioridade condenar rotineiramente as pessoas gay. Isto apesar de a hierarquia Católica ter estado em concertação para encobrir o abuso generalizado de crianças ao seu cuidado", criticou Graddick.

Ben Summerskill, de outra associação "gay" norte-americana, a Stonewall, afirmou também "esperar que o novo papa traga mais amor cristão e caridade aos 420 milhões de pessoas lésbicas, gay e bissexuais do que o seu antecessor".

O biógrafo oficial do papa, Sergio Rubin, salientou, em declarações à agência AP, a preocupação demonstrada por Bergoglio para com os mais necessitados, mas distanciando-o dos setores mais reformistas dentro da Igreja.

"Bergoglio é um progressista, mesmo um teologista da libertação? Não. Não é um padre de terceiro mundo. Critica o Fundo Monetário Internacional e o neoliberalismo? Sim. Passa muito tempo nos bairros de barracas? Sim", disse Rubin à AP.

Segundo o portal de informação católica The National Catholic Register, em 2001 Bergoglio lavou os pés a doentes de SIDA.

Fez também várias intervenções a favor dos mais carenciados, contrastando "as pessoas pobres que são perseguidas por pedir trabalho e as pessoas ricas que são aplaudidas por fugir à Justiça".

O cardeal argentino jesuíta Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, foi hoje eleito papa pelos 115 cardeais reunidos em Roma, assumindo o nome de Francisco.

Francisco sucede a Bento XVI e é o 266.º papa da Igreja Católica.

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