Futuro da Igreja Católica passa pelos Direitos Humanos

O responsável em Portugal pela Congregação dos Missionários do Espírito Santo, Tony Neves, defende que "o papel futuro da Igreja Católica joga-se no plano dos Direitos Humanos e na opção pelos mais pobres".

Em declarações à agência Lusa, Tony Neves considera que, atualmente, a imagem da Igreja Católica "não se joga na postura moral, porque aí as coisas estão complicadas, e não se joga [também] em questões teológicas", referindo que as divergências registadas entre Bento XVI e muitos dos teólogos "têm causado algum desgaste".

O padre que tem trabalhado em missões nos países lusófonos em África, pensa que "a credibilidade da Igreja passa pela solidariedade, pela opção pelos mais pobres, [pelas] intervenções em contexto de guerra e de extrema pobreza e na luta pelos direitos humanos onde eles são desrespeitados".

"Aí [a Igreja] tem jogado cartas decisivas e é a grande imagem de marca da Igreja Católica".

Neste sentido, para Tony Neves "duas excelentes apostas, dois excelentes candidatos" à liderança da Santa Sé são os cardeais Óscar Maradiaga, das Honduras, que preside à Caritas Internacional, e Peter Turkson, do Gana, atual presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e Paz.

"Gosto muito do cardeal Óscar Maradiaga, das Honduras, que é um homem que tem feito uma luta sem tréguas por mais liberdade, por mais democracia, pelos direitos humanos nas Honduras e tem tido problemas seríssimos com o Governo local", disse.

O cardeal hondurenho "é muito sensível à questão das injustiças socias, às desigualdades gritantes, crítico das relações internacionais que assentam sobre interesses e não sobre os direitos das pessoas, e tem percorrido o mundo a defender esses grandes valores humanos e cristãos", acrescentou.

Relativamente ao ganês Peter Turkson, o missionário português considera-o "um cardeal muito bom em termos intelectuais e muito humano em termos de opções".

Nesse sentido, como missionário, caso seja eleito um cardeal não europeu, "veria a dimensão universal da Igreja mais espelhada".

Todavia, "não é nenhum drama se o próximo papa for ainda europeu", tanto mais que "a Cúria Romana continua a ser muito europeia e a mentalidade da Igreja enquanto instituição, tem os valores de fundo quase todos de matriz europeia".

Para o missionário, é na Europa que "a Igreja está mais institucionalizada, onde as raízes do cristianismo ganharam mais consistência", sendo "a maioria dos cardeais europeia" e entre estes, 28 italianos. Como fez notar Tony Neves, "não há novo papa sem o acordo dos cardeais italianos".

Porém, "um Papa vindo de outro continente, traria outros valores, outra postura, seria uma abertura grande".

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