O mais revolucionário dos poetas da Palestina

Mahmud Darwish foi um ícone da cultura palestiniana. Poeta e activista social, Mahmud representou através dos seus poemas, traduzidos ao longo dos anos em mais de 20 línguas, a cultura palestiniana, com todas as suas experiências de exílio, mas também de ocupação. "Ele criou uma identidade palestiniana como nenhum outro poeta conseguiu alcançar", foi com estas palavras que Darwish foi definido por Adel Usta, especialista na sua obra. Nasceu a 13 de Março de 1942 em Al-Birweth, na Galileia - hoje o Norte de Israel -, local que foi completamente destruído oito anos depois.


Durante toda a sua vida, Darwish lutou contra a ocupação israelita da sua terra natal, dando voz através dos seus poemas aos sonhos de um território independente e soberano para o seu povo. O carácter revolucionário da sua escrita levou--o muitas vezes à prisão. Bird Without Wings foi a sua primeira obra literária, editada no princípio da década de 60, e foi com ela que o poeta ganhou reconhecimento, especialmente devido ao poema Identity Card, que reflecte de forma bastante agressiva a sua luta pela independência da Palestina.


No início da década seguinte, Mahmoud Darwish abandonou Israel para estudar na então União Soviética, tendo viajado pelo Egipto e Líbano, onde fundou a revista literária Al- -Karmil. Esta foi uma época de exílio para o poeta, que em 1973 acabaria por ser proibido de entrar no território israelita, por ser membro da Organização para a Liberdade da Palestina (OLP). Vinte anos depois, viria a renunciar à sua actividade da OLP em protesto contra os acordos de Oslo, assinados entre o líder palestiniano Yasser Arafat e o Governo de Telavive. Em 1988, porém, Darwish escreveria a Declaração da Independência Palestiniana, lida por Yasser Arafat. Mas esse foi um acto meramente simbólico. Em 1996, foi autorizado pela primeira vez desde o início do seu exílio a voltar a Israel, para assistir ao funeral do escritor Emili Habibi.


A veia literária e poética de Mahmoud Darwish manifestou-se logo no final da escola secundária, quando se juntou ao Partido Comunista de Israel e começou a escrever poemas para jornais de esquerda. Vários desses poemas foram mais tarde adoptados por músicos árabes, como Marcel Khalifee ou Majida El Roumi.
Apesar de saber falar inglês e francês, ao longo das suas 21 colecções de poemas escolheu sempre a língua mãe para escrever as suas obras.


Aos 67 anos morreu no Hospital Memorial Hermann em Houston, no estado norte-americano do Texas, três dias depois de uma operação ao coração. Esta foi a terceira vez que o poeta foi obrigado a uma intervenção cirúrgica ao coração. A primeira deu-se em 1984 e a segunda em 1998, após a qual escreveu poema Morte, Venci-te. Desta vez não venceu.

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