Benjamin Netanyahu: o jovem que derrotou Peres

Em Maio de 1996 a surpresa foi total, para os israelitas e para a comunidade internacional: o veterano Shimon Peres era derrotado por um jovem e inexperiente político - Benjamin Netanyahu. Tratava-se da primeira vez na história do Estado judaico que a escolha do primeiro-ministro era feita por sufrágio universal, independentemente do partido político. Nada fazia crer que Peres não seria o vencedor e tanto assim era que, no dia seguinte ao escrutínio, muitos jornais davam como certa a eleição do líder trabalhista. Até porque, na memória de todos estava ainda presente o assassínio de Yitzhak Rabin, em Novembro de 1995, por um extremista israelita. Engano, afinal.


Benjamin Netanyahu - "Bibi", como passa a ser tratado pela generalidade dos israelitas para profunda irritação do próprio - não era um político experiente mas também não era um desconhecido nos corredores do poder: embaixador de Israel na ONU (1984-1988), vice-ministro dos Negócios Estrangeiros (1988-1991) e vice-ministro no gabinete do primeiro-ministro (1991-1992). Durante a primeira Guerra do Golfo (1991), utilizando a técnica que aprendera enquanto viveu nos EUA, tornou-se na "voz e no rosto" de Israel ao explicar, perante as câmaras de televisão nacionais e estrangeias, o desenrolar do conflito. Segundo analistas, foi, até agora, o melhor Relações Públicas do Estado judaico. Terminado o conflito, Netanyahu irá participar na Conferência de Paz de Madrid, que, em 1991, senta à mesma mesa israelitas e árabes, e nas subsequentes negociações de paz em Washington.


A derrota do Likud, nas eleições de 1992, leva Yitzhak Shamir a deixar a chefia do partido, provocando uma luta pelo poder - entre a linha moderada de Benny Begin, Dan Meridor e apoiantes de Ariel Sharon - que Netanyahu sabe aproveitar como ninguém e o leva à liderança da maior força política da oposição israelita.


Segundo [de três] filho do antigo professor de história judaica que foi secretário pessoal de Ze'ev Jabotinsky, Netanyahu imigrou, com a família, aos 14 anos para os EUA. É nesse país, cuja nacionalidade adquire, que descobre os prazeres do futebol e faz toda a sua formação académica no prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts e na Universidade de Harvard. Cumpre, como acontece com todos os israelitas, o serviço militar no Estado judaico (1967) e responde sempre ao chamado do país sempre que este se diz em perigo. A paixão pelos EUA, porém, nunca se desvanece: Netanyahu assimila em absoluto o sistema político, social e económico americano que procura, de alguma forma, pôr em prática quando chega ao poder após uma campanha que teve como principal tema o terror e a recusa em proceder a qualquer retirada dos territórios palestinianos.


Os dois anos e meio de poder de "Bibi" ficaram marcados por escândalos, insucessos e uma profunda crise económica a que não é alheio o bloqueio do processo de paz. Em 1996 autoriza a abertura de um túnel junto à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, acção que levou aos mais violentos confrontos desde a I Intifada. O ano de 1997 é marcado pela tentativa de assassinato do líder do Hamas, Khaled Meshaal, em Amã. "Quero o antídoto" é a resposta do rei Hussein da Jordânia quando Netanyahu lhe telefona a pedir desculpa pela acção da Mossad. E "Bibi" ainda se vê forçado a libertar o líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin, para poder reaver os dois agentes da Mossad...


Dez anos após a sua queda, Netanyahu - de novo líder do Likud - prepara o momento em que regressará ao poder. Agora menos jovem, mais experiente mas na mesma um defensor de um Israel com direito a viver em segurança mas sem nada dar em troca.

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