Velhos rivais Síria e Líbano vão estabelecer relações diplomáticas

Iniciativa assinala tentativa de Damasco de reduzir pontos de conflito regionais.

Os presidentes sírio e libanês iniciam hoje em Damasco uma cimeira histórica de que deve resultar o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países e a abertura de embaixadas nas suas respectivas capitais. Bashar al-Assad e Michel Suleiman irão ainda abordar outros temas que permitam a total normalização de relações entre a Síria e o Líbano, como a questão do tratado de amizade e cooperação, assinado em 1991, e a demarcação da fronteira comum.


O processo de normalização foi desencadeado em Julho quando Assad e Suleiman se encontraram em Paris, à margem da cimeira da União para o Mediterrâneo. Foi então anunciado o estabelecimento de relações diplomáticas, o que sucede pela primeira vez desde a criação dos dois países.


As relações entre os dois países têm sido marcadas pela ocupação militar síria desde meados dos anos 70 e por uma clara influência de Damasco na vida política libanesa. Mesmo após a retirada das suas forças militares, a Síria continuou a tentar influenciar o rumo dos acontecimentos em Beirute, como atesta o atentado contra o antigo primeiro-ministro Rafic Hariri, em Fevereiro de 2005. Uma investigação da ONU estabeleceu o envolvimento de figuras do regime sírio naquela acção, o que tem sido negado por Damasco.


Um exemplo do clima de subordinação libanês ao seu vizinho é dado pelo conteúdo do tratado de 1991, em que, sob a capa de coordenação ao mais alto nível entre os órgãos políticos dos dois países, se consagram fórmulas que permitem a supremacia síria. Os partidos da coligação anti-Damasco exigem hoje a denúncia do tratado e dos mecanismos que este instituiu.


O encontro de hoje e amanhã na capital síria atesta uma melhoria nas complexas relações entre os dois Estados - numa equação regional a que é necessário agregar Israel e as ligações do Irão à importante comunidade xiita libanesa - e a aparente vontade de Damasco de reduzir os pontos de conflito no Médio Oriente. Nesse sentido, as agências referiam ontem que, além destes desenvolvimentos na frente libanesa, o regime de Al-Assad prossegue contactos indirectos com o seu arqui-inimigo, Israel.

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