Novo atentado com 'bulldozer' espalha o medo em Jerusalém

Presidente da Câmara reconhece ser difícil prevenir tais situações.

Pela segunda vez em 20 dias, um bulldozer foi utilizado para um atentado em Jerusalém Ocidental. O ataque de ontem, às 14.00 locais, fez 16 feridos e um morto (o palestiniano que conduzia o veículo) e ocorreu perto do hotel King David, o mesmo onde o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, era esperado ao fim do dia.


Ghassem Abu Tir, de 22 anos, foi identificado como sendo o autor do atentado, que não foi reivindicado. Abu Tir, que tinha bilhete de identidade israelita, habitava em Umm Tuba, uma aldeia nos arredores de Jerusalém Oriental. Fontes israelitas sugeriram que ele era da família de Mohammed Abu Tir, um deputado do Hamas, (grupo integrista palestiniano) que está preso em Israel . E testemunhas oculares afirmaram que Ghassem tinha o solidéu branco, usado pelos muçulmanos religiosos.


Micky Rosenfeld, porta-voz da polícia, afirmou que as forças de segurança tinham selado as ruas que levam a Jerusalém Oriental e estavam à procura de dois suspeitos que foram vistos a deixar o local do ataque.


Por seu turno, uma porta-voz da polícia afirmou ao diário israelita Haaretz que "o motorista do bulldozer deixou o local da construção e bateu em dois carros. Um civil que viu o que estava a acontecer, alvejou-o. Mas o bulldozer continuou a avançar. Uma patrulha da guarda fronteiriça continuou a atirar e o terrorista foi morto". A polícia revelou ainda que o bulldozer atingiu um autocarro e, pelo menos, cinco carros antes de se imobilizar. Para além dos danos materiais, 16 pessoas ficaram feridas - uma delas com gravidade - entre elas duas crianças.


Testemunhas oculares contaram ao mesmo jornal que o incidente durou apenas uns minutos: "Um carro foi atirado pelo ar e outros foram esmagados. Comecei a correr na direcção do bulldozer. As pessoas recuperaram a compostura em apenas alguns segundos."


Apesar de este atentado não ter feito qualquer vítima mortal entre os israelitas, o facto de, para o concretizar, ter sido utilizado um bulldozer - o que acontece pela segunda vez em 20 dias - está a criar algum desconforto entre os habitantes da cidade, que vive um boom de construção.


"Tenho medo. Agora tenho medo quando passo junto de um bulldozer", disse Sandy Lerner, de 65 anos, que testemunhou o ocorrido, acrescentando: "O nosso governo nada está a fazer para proteger os cidadãos deste país."


Uri Lupolianski, presidente da Câmara de Jerusalém, deslocou-se ao local do atentado e reconheceu a dificuldade para impedir situações idênticas na cidade.
"Expulsamos terroristas pela porta, e eles trepam pela janela com todo o género de meios e ideias. Toda a ferramenta de trabalho torna-se num instrumento de terror e temos que repensar como damos emprego a quem aqui trabalha", afirmou o autarca, citado pelo jornal britânico Times online.


O mesmo jornal revela que testemunhas do atentado pediram que se aperte o controlo dos palestinianos que conduzem veículos ligados à construção, mas quando a cidade regista intensa actividade na área da construção civil e os palestinianos que vivem em Jerusalém Oriental constituem a mão de obra mais barata no mercado, será difícil para as autoridades impôr regras mais apertadas de contratação.

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