Hezbollah acata apelo do exército e retira das ruas

Duas pessoas morreram num ataque no funeral de um sunita, na capital.

Xiitas, sunitas, cristãos. Há apenas uma instituição que consegue mante-los a todos unidos no Líbano: o exército. Afastado dos combates dos últimos dias na capital, precisamente para evitar cisões, o exército entrou ontem em campo e revogou duas medidas governamentais que o Hezbollah, na oposição, tinha considerado uma "declaração de guerra". Resultado: o Partido de Deus anunciou que vai retirar os seus homens armados de Beirute ocidental. Contudo, o movimento xiita promete manter a sua campanha de "desobediência civil".


O pedido para a retirada partiu do general Michel Sleiman, o chefe do Estado Maior, que é também o mais consensual candidato à presidência do país. O Líbano está sem presidente desde Novembro de 2007, fruto de uma crise política que dura já há 18 meses e que começou com a saída do movimento xiita (apoiado por Damasco e Teerão) da coligação governamenal, dominada por sunitas e druzos - liderados, respectivamente, por Saad Hariri e Walid Jumblat.


Sleiman prometeu readmitir o chefe de segurança do aeroporto internacional de Beirute, próximo do Hezbollah, que tinha sido demitido pelo Governo, assim como chamar a si o inquérito à rede de telecomunicações privada do Partido de Deus. Esta é considerada pelo Executivo como uma "violação da soberania do Líbano", mas para o movimento xiita é "essencial" na luta contra Israel.


Horas antes, o primeiro-ministro Fouad Siniora tinha feito a primeira declaração desde o início da crise, na quarta-feira, que em vez de ajudar podia ter piorado a situação. O Hez-bollah "não nos vai aterrorizar com as suas armas", disse, criticando o movimento xiita que "apela ao diálogo e fala de calma mas prepara a guerra".


Desde quarta-feira, já morreram mais de 30 pessoas. Duas delas durante o funeral de uma das vítimas sunitas dos confrontos de quinta-feira, que tinham feito 13 mortos. Mais a norte, 14 pessoas morreram nos confrontos entre campos rivais. Apoiantes de Jumblat mataram também três membros do Hezbollah junto à capital, causando a ira dos xiita.


Para hoje, está marcada uma reunião de emergência da Liga Árabe , no Cairo. A Síria (que durante mais de 30 anos dominou o Líbano) mantém que este é um problema interno, hesitando em participar no encontro ministerial, recusando a "internacionalização" do conflito.

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