A corrida de Bush contra o tempo

Em fim de mandato, Presidente americano procura relançar processo de paz.

O Presidente dos Estados Unidos proferiu, na segunda-feira, um discurso que teve como tema central o conflito israelo-palestiniano. Então, George Bush anunciou a realização de uma conferência internacional para solucionar o referido conflito e, ao mesmo tempo, definiu o papel que deseja ver desempenhado por Tony Blair, o recém-nomeado enviado especial do Quarteto que amanhã se reúne em Lisboa.


A intervenção de George Bush, quando o seu mandato se aproxima a passos largos do fim, tem muito de déjà-vu. Em 2000, o então presidente Bill Clinton teve também a mesma preocupação: tentou encontrar a solução para o conflito que há mais de 50 anos divide palestinianos e israelitas, semeando a morte entre os dois povos e marcando gerações.


George Bush quer uma conferência internacional cujos contornos ainda não estão definidos, até porque o encontro em causa só irá realizar-se no Outono. Bill Clinton apostou em juntar os então líderes dos dois povos - o primeiro-ministro israelita Ehud Barak e o presidente palestiniano Yasser Arafat - em Camp David para que se entendessem e chegassem a um acordo de paz. Clinton envidou todos os esforços para que o resultado da cimeira fosse positivo. Fê-lo com a urgência de quem luta contra o tempo, de quem sabe que, porque em final de mandato, a partir de determinado momento o seu poder é apenas formal.


Três décadas antes, um outro presidente americano - Jimmy Carter - também escolhera Camp David para uma cimeira israelo- árabe . Neste caso, tratou-se de reunir o presidente Sadat do Egipto com o primeiro-ministro israelita Menahem Begin. Embora os temas fossem menos espinhosos, as negociações também não foram fáceis mas resultaram e os dois países acabaram por assinar um acordo de paz. "Porque Carter os fechou à chave quando ameaçaram ir embora", dizem próximos de Sadat e de Begin. O facto é que a paz prevaleceu.


Em 2000, o resultado foi diferente: Barak e Arafat não se entenderam e o fracasso acabou por marcar todos os intervenientes. No imediato, uma segunda e mais violenta Intifada passou a marcar o quotidiano de israelitas e palestinianos. Depois, Clinton saiu de cena sem levar na lapela a medalha para a qual tanto trabalhou - a paz no Médio Oriente; Arafat faleceu deixando o seu "povo no mapa" mas não deixando um mapa para o povo e Barak acabou perdendo as eleições sem honra nem glória. Culpados para o fracasso? A resposta depende de quem a dá.


Sete anos depois, outro presidente em fim de mandato sente a urgência de fazer algo que deixe a sua marca na história. E eis que Bush anuncia a conferência internacional na qual deseja ver sair a criação de um Estado palestiniano (formado pela Faixa de Gaza e pela Cisjordânia) ao lado do Estado de Israel.

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