Vítimas exigem novo inquérito ao 7 de Julho

MI5 já conhecia dois dos suicidas de Londres

Os familiares das vítimas dos atentados de 7 de Julho de 2005 em Londres enviaram ontem uma carta ao ministro do Interior, John Reid, exigindo uma nova investigação sobre os acontecimentos que mataram 52 pessoas e deixam 700 feridas.

Na origem da missiva está a revelação feita, na véspera, de que o MI5 (serviços secretos internos) tinha investigado dois dos quatro bombistas suicidas muito antes dos ataques, contrariando totalmente a versão que foi apresentada na altura.

Na segunda-feira, depois de conhecida a condenação a prisão perpétua de cinco terroristas que planearam atentados no Reino Unido, usando fertilizantes como bomba, soube-se que um, Omar Khyam, era muito próximo de dois suicidas: Mohammed Khan e Shezad Tanweer.

Fontes dos serviços de segurança britânicos, ouvidas pelo Times, admitiram ter identificado Khan em 2004 como o dono de uma loja de telemóveis frequentada por um alegado financiador da Al-Qaeda e condutor de um Honda que foi perseguido. Apesar disso não foi alvo de uma investigação mais profunda.

Fontes dos serviços paquistaneses, citadas pelo mesmo jornal, confirmam ter alertado o MI5 para o facto de tanto os suicidas de 2005 como os condenados de segunda-feira terem estado, em Julho de 2003, no Paquistão a treinar com a Al-Qaeda. "Não há dúvida de que o 7/7 poderia ter sido e deveria ter sido evitado. Os serviços britânicos não seguiram a informação que nós lhes demos."

O MI5 defendeu-se dizendo que quando vigiou Khan e Tanweer, sem ter chegado a identificá-los, eles estavam apenas implicados em pequenas fraudes financeiras e nada permitia relacioná-los com actividade terrorista ou fabrico de bombas.

O ministro do Interior, que na segunda-feira rejeitou logo a ideia de uma nova investigação, por temer que isso desvie os esforços dos serviços secretos do seu trabalho actual, também defendeu o MI5. John Reid lembrou que os serviços deram um passo sem precedentes ao publicar no seu site uma série de dados sobre os atentados de Londres .

Mas as vítimas não estão convencidas. "Quero um inquérito independente porque parece que não nos disseram a verdade sobre o que já era conhecido sobre os suicidas", disse à BBC Rachel North, uma sobrevivente do metro da Piccadilly Line. Na altura dos atentados terroristas, o então responsável pela pasta do Interior, Charles Clarke, garantiu que "estas explosões surgiram do nada, estes homens estavam limpos [não tinham sido referenciados pelos serviços de informações]".|

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