Uma portuguesa na linha de fogo

Acaso. Desde 2001, Filipa tem vivido sempre muito perto dos principais alvos dos terroristas

Filipa Monteiro, 34 anos, acordou como todas as manhãs perto das seis e meia. Preparava-se para ir para o escritório em Picadilly, onde trabalha como advogada numa consultora multinacional, quando o telefone tocou perto das sete da manhã. "Faço parte de uma equipa de gestão de crise na companhia e quando fui informada do que se passava comecei a avisar as pessoas para não irem trabalhar", afirma. Em boa hora o fez, já que o escritório da empresa situa-se ao lado da rua onde foi encontrado o carro-bomba.

Nos últimos anos Filipa tem estado sempre na linha de fogo porque trabalhava em Nova Iorque quando as Torres Gémeas foram atacadas e já vivia em Londres na altura dos atentados bombistas de 7 de Julho. "Qualquer dia sou suspeita", ironiza. "No 11 de Setembro tinha uma reunião agendada para as dez da manhã no World Trade Center e recebi um telefonema a avisar-me do que se passava. Nos atentados de Londres , tive a sorte de estar em Lisboa para reuniões de trabalho", lembra.

"Este dia é mais um alerta", desabafa. "Quando estas coisas acontecem, voltamos a lembrar-nos que vivemos uma época complicada, mas depois a vida volta à normalidade e esquecemos", frisa. É por isso que diz não viver assustada, até porque "a probabilidade de acontecer alguma coisa num atentado é muito menor do que ter um acidente de avião ou de carro".

Apesar da ameaça permanente, é este espírito pragmático que molda os londrinos. A escassos metros do cordão policial montado em Picadilly Circus, Chris McHugo, um consultor de 59 anos, folheava avidamente o vespertino Evening Standard.

"Acabei de sair de uma reunião e não fazia a mínima ideia do que se estava a passar", diz. "É alarmante, mas não vivo muito preocupado com o terrorismo", afirma. "A vida é incerta e neste caso a única coisa que podemos fazer é estar vigilantes", sintetiza.

Também Phil Reina, um contabilista de 42 anos, veio de Chirchester para uma reunião de trabalho na capital. Vai olhando com curiosidade para o aparato policial em Picadilly, mas não se impressiona muito: "Para mim, tudo isto é inconveniente e muito aborrecido, mas a verdade é que vivemos com este tipo de ameaças há três décadas, primeiro com o IRA, agora com os terroristas islâmicos".

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