"Muçulmanos britânicos são os mais radicais"

França e Itália enfrentam, neste momento, uma dupla ameaça terrorista: a dos sunitas das redes da Al-Qaeda do Magrebe e a dos xiitas próximos do Hezbollah, que poderão passar à acção em função da situação no Líbano. Quem o diz é Olivier Guitta, um especialista em contraterrorismo, que há vários meses tem vindo a alertar para o recrudescimento do terrorismo islâmico em Marrocos.

Questionado pelo DN, Olivier Guitta não tem dúvidas de que o reino de Mohammed VI enfrenta uma ameaça idêntica à da França, Itália ou Espanha. Uma convicção que assenta no facto de Rabat ter perdido o controlo das mesquitas, enfrentando agora uma aliança entre o Grupo Islâmico Combatente Marroquino (GICM) e os argelinos da Al-Qaeda do Magrebe (novo nome do Grupo Salafista para a Prédica e o Combate).

"Há vários países ameaçados", alerta Olivier Guitta, ressalvando, no entanto, a capacidade de alguns Estados para lidarem com este tipo de terrorismo. Como a França, "onde há anos se sabe tudo o que é dito às sextas-feiras nas mesquitas do país". Sem que isso trave a ameaça protagonizada pelas novas gerações que têm estado a ser enviadas para o Iraque e que poderão vir a inserir-se na Europa, escondendo-se entre as vastas comunidades de imigrantes magrebinos que existem em muitos Estados europeus, alguns dos quais já foram directamente visados pelo n.º 2 da Al-Qaeda, o egípcio Ayman Al-Zawahiri .

Revelando desconhecer qualquer ameaça concreta da rede criada por Ussama ben Laden ou das organizações terroristas islâmicas do Magrebe a interesses portugueses - "a Al-Qaeda atacará muitos outros países antes de virar atenções para Portugal" -, Olivier Guitta não hesita, contudo, em chamar a atenção para algo que também deveria preocupar a generalidade da UE: o radicalismo das comunidades islâmicas do Reino Unido. "São as mais radicais de todos", garante Guitta. "E o mais preocupante é o facto de as autoridades britânicas não terem informações suficientes, nem próprias, sobre essas comunidades, nem sobre o que se diz nas suas mesquitas. O que me leva a pensar que só poderemos esperar o pior do Reino Unido nos próximos dez anos."

Um cenário que, na opinião deste especialista, só tenderá a piorar, à medida que for aumentando a coordenação entre o terrorismo islâmico perpetrado por organizações muçulmanas do Reino Unido e as estruturas congéneres do Norte de África, onde a Al-Qaeda do Magrebe tende a integrar os marroquinos do GICM, os tunisinos do GICT e os líbios do CICL.

"Já existem vários sinais que apontam nesse sentido. Basta recordar que o líder do GICM [Mohammed Guerbouzi, que é suspeito de ter ordenado os atentados de Casablanca e de Madrid] vive em Londres e que o Reino Unido tem recusado a sua extradição.

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