Estamos órfãos da 'voz mais humana e mais digna'

A vice-presidente do Governo espanhol disse hoje que a morte do escritor José Saramago 'ensombrou o olhar e o coração' dos que o conheciam pessoalmente ou pelos livros, deixando-os órfãos da 'voz mais humana e mais digna'.

'Todos nos sentimos órfãos da sua figura tão querida e das suas palavras tão confortantes, órfãos de quem tantas vezes foi a nossa voz, a voz mais humana e mais digna', disse María Teresa Fernández de la Vega, num discurso no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa, onde o corpo de José Saramago esteve em câmara ardente, antes de seguir para o Cemitério do Alto de São João.

José Saramago faleceu na sexta feira, aos 87 anos, na sua casa na ilha espanhola de Lanzarote.

Dirigindo-se à viúva de José Saramago, Pilar del Rio, e à filha do escritor, Violante Matos, María Teresa de la Vega expressou 'o profundo pesar do Governo e do povo de Espanha pela perda de uma pessoa tão extraordinariamente querida e de um escritor extraordinariamente admirado'.

'Quanto nos deu José Saramago, numa como noutra condição, e com quanta generosidade', disse.

A vice-presidente do Governo espanhol descreveu o escritor português como 'uma dessas poucas pessoas que sabem recordar-nos que podemos e devemos ter grandes sonhos, tão grandes que nunca os percamos de vista'.

'E ele sonhou. Sonhou com uma terra livre - livre de opressão, de miséria e de perseguição. Sonhou com um mundo em que os fortes eram mais justos e os justos eram mais fortes - um pouco mais fortes a cada dia', acrescentou.

'E ofereceu-nos os seus sonhos em páginas cheias de ideias, ilusões de vida, que passaram a fazer parte dos nossos tesouros mais queridos, que nos demonstraram que a vida dos livros, quando são escritos com a pureza com que o fazia José Saramago, pode ser tão intensa como a real', prosseguiu María Teresa de la Vega.

No final do seu discurso, a vice-presidente do Governo espanhol declarou: 'Nunca esqueceremos o escritor, o esposo, querida Pilar, o intelectual, o companheiro e amigo. A sua memória é parte da nossa memória, porque a sua vida é uma parte muito querida da nossa vida'.

'Hoje, somos milhões de pessoas que querem tomar a palavra para agradecer ao tecedor de esperança, para dizer que nunca perderemos os seus sonhos de vista, que hoje, graças a ele, graças a José Saramago, estamos um pouco mais perto deles', completou.

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