Corredor central do cemitério para última homenagem

O corredor central do cemitério do Alto de São João, em Lisboa, foi pequeno para acolher as largas centenas de pessoas que quiseram assistir à última cerimónia fúnebre do escritor José Saramago

Pelas 13:10, a urna do Prémio Nobel da Literatura entrou, carregada em ombros e coberta com a bandeira portuguesa, no cemitério da capital.

A passagem do corpo de Saramago foi acompanhada de fortes aplausos, que duraram mais de 10 minutos, e com os populares a atirarem cravos vermelhos ao caixão.

'Saramago: a Luta continua', foi a frase mais gritada pelas centenas de pessoas, que se concentravam à entrada do crematório.

Quando as portas do crematório se fecharam, reservando o espaço à família e aos amigos, continuaram a ouvir-se aplausos e gritos de apoio, como: 'Saramago, amigo, o povo está contigo'.

Pelas 13:25, o fumo começou a sair da chaminé do crematório, arrancando mais aplausos à população que assistiu, emocionada, a este momento.

Estava cumprido um dos pedidos expressos em vida por Saramago: ser cremado.

Os cravos vermelhos foram a principal nota de cor nesta despedida ao autor português, simbolizando a luta pela liberdade e também a sua militância comunista.

Mas uma única bandeira do PCP, empunhada por alguns militantes junto ao crematório, serviu para juntar naquela zona muitos apoiantes do partido.

Muitos foram também os admiradores do Nobel que decidiram levar alguns dos seus livros mais emblemáticos para esta despedida: 'Memorial do Convento', 'Ensaio sobre a Cegueira' e 'Caim' - a última obra do autor - iam sendo levantados à medida que os aplausos decorriam.

Álvaro Paninho, um dos populares presente no Alto de São João, fez questão de ir acompanhado pelo 'Evangelho Segundo Jesus Cristo', a polémica obra que levou um ex-secretário de Estado do PSD, Sousa Lara, a impedir Saramago de concorrer a um prémio.

'Toda a gente se vai lembrar que em 2010 foi o ano da morte de Saramago, mas ninguém se vai lembrar do verme que lhe proibiu um livro em 1992', afirmou à agência Lusa este cidadão, referindo-se à polémica.

E houve outra polémica a pontuar os discursos de alguns dos presentes - a ausência do Presidente da República nas cerimónias fúnebres do único Nobel da Literatura português. Discursos.

'És um grande homem, Saramago. Ficas na história como um grande homem. E Cavaco Silva fica na história como uma vergonha, um homem pequeníssimo', gritava um cidadão, secundado por várias pessoas que se encontravam perto dele.

À margem de polémicas, várias personalidades da política e da cultura juntaram-se à derradeira cerimónia fúnebre, como o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que foi fortemente aplaudido quando chegou à zona do crematório, acompanhado pelo seu antecessor, Carlos Carvalhas.

O presidente da câmara de Lisboa, António Costa, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louça, o ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, e o cantor Carlos do Carmo foram outras das personalidades presentes.

No final da cerimónia, foi altura de prestar homenagem a Pilar del Rio, mulher de Saramago, também fortemente aplaudida pela população no momento em que abandonarva o local onde o corpo do marido se transformou em cinza.

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