Acordo com 'troika' deixou banca portuguesa em desvantagem face à espanhola

As maiores exigências de capital para os bancos portugueses resultantes do acordo do Governo com a 'troika', acima das estipuladas em Espanha, distorcem a concorrência no mercado bancário ibérico, penalizando as instituições financeiras nacionais, alertou hoje o presidente do BES.

"O governo espanhol acabou de atribuir aos bancos espanhóis um rácio de 8 por cento, e o Banco de Portugal, há menos de um mês, também veio referir os 8 por cento, porque, no fundo, acredito que o Banco de Portugal considerou que era importante que os bancos portugueses e os bancos espanhóis pudessem competir em igualdade de circunstâncias num mercado que está completamente integrado", disse Ricardo Salgado.

No acordo estabelecido com a Comissão Europeia, com o Banco Central Europeu (BCE) e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), é estipulado para a banca portuguesa um rácio 'Core Tier I' de 9 por cento no final de 2011 e de 10 por cento até final de 2012.

"Há vários bancos espanhóis a operar em Portugal e alguns bancos portugueses, infelizmente, menos, a operar em Espanha. Portanto, em termos de perda de competitividade, obrigando-nos a um rácio mais elevado, é um duplo desafio para os bancos. Não só de se recapitalizarem a esse nível, como depois concorrer com os bancos espanhóis que, com rácios mais baixos, terão, em princípio, uma rendibilidade ao capital mais elevada", salientou aos jornalistas o banqueiro, à margem da entrega do Prémio BES Biodiversidade 2011.

"Estamos com opção de aumentar para 9 por cento este ano e para 10 por cento no ano que vem. A nossa ideia, eventualmente, se o mercado o permitir, é fazer o aumento de uma vez só, já no final deste ano. Mas vamos ver. Temos que esperar pelas condições do mercado, que neste momento não são favoráveis, mas esperemos que possam vir a melhorar", revelou o presidente do Banco Espírito Santo (BES).

"O BES já fez desde a privatização em 1991/1992, sete aumentos de capital pelos seus próprios meios. Acreditamos estar em condições para fazer o oitavo aumento de capital sem recorrer à ajuda do Estado. Em abril/maio de 2009, em plena crise, fomos ao mercado com muito sucesso e fizemos uma emissão de 1,2 mil milhões de euros que foi colocada no mercado", realçou Salgado.

"O programa que está posto para os bancos é, de facto, um último recurso. Se mais nada funcionar, nessa altura os bancos poderão recorrer ao fundo atribuído ao Estado. Mas por aquilo que eu ouvi dos meus colegas de ofício, nenhum está com vontade de recorrer ao programa", reforçou.

"Também consideramos que o montante é um pouco elevado. Mas os senhores da 'troika' lá sabem, eles vêm de outras experiências. É claro que nós continuamos a dizer que a banca portuguesa não está, nem de perto, nem de longe, afetada como ficou afetada a banca dos outros dois países intervencionados [Grécia e Irlanda] e, por isso, estamos um pouco mais otimistas quanto à utilização dos recursos do Estado", concluiu o presidente do BES.

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