Liga dos Bombeiros teme pelo fim da actividade das corporações

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) manifestou hoje receio que a actividade e missão dos corpos de bombeiros esteja em "risco" devido às medidas previstas no Orçamento do Estado para o próximo ano.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da LBP, Duarte Caldeira, afirmou que as associações de corpos de bombeiros "estão em risco na sua globalidade", caso não seja tomada "qualquer medida compensatória ou correctiva dos efeitos" provocados pelas medidas prevista no Orçamento de Estado.

"A primeira abordagem às consequências de natureza económica e financeira deste orçamento não são apenas preocupantes, mas sem nenhuma medida adicional de compensação ou de minimização dos efeitos deste orçamento, só falta perguntar quando é o que o Governo começa a encerrar estas instituições", sustentou Duarte Caldeira.

Segundo o mesmo responsável, os corpos de bombeiros são responsáveis por 85 por cento dos actos de socorro prestados diariamente em Portugal e no próximo ano vão ser confrontados com agravamentos de IVA e retirada de benefícios fiscais "legalmente concebidos há muitos anos".

O presidente da LBP adiantou que também "estão em risco" os postos de trabalho ligados ao transporte de doentes não urgentes, tendo em conta o "agravar" da situação dos últimos meses.

Lamentou igualmente a "barreira de incompreensível silêncio" que estão a encontrar no Ministério da Saúde, que ainda não respondeu ao pedido de reunião feito há mais de três meses para analisar uma "área que ocupa uma parte muito significativa da missão dos bombeiros".

Cerca de 65 por cento do pessoal profissional remunerado nos bombeiros estão afectados às áreas da saúde e da emergência pré-hospital, estando os restantes 35 por cento ligados aos incêndios e ao resto do socorro.

As dificuldades financeiras podem retomar a "penosa situação" dos bombeiros realizarem peditórios nas estradas e localidades, lamentou Duarte Caldeira, sublinhando que "constitui um recuo ao processo de desenvolvimento das estruturas de bombeiros que sofreram ao longo da última década".

"Se não houver nenhuma medida que atenda à especificidade do serviço público da atividade dos bombeiros corremos esse sério e desagradável risco", sustentou.

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