Em quatro gerações, a Bial cresceu e multiplicou-se

No espaço de quatro gerações da família Portela, a pequena farmacêutica portuense industrializou-se, internacionalizou-se e tornou-se exemplo na área da investigação.

A maior farmacêutica nacional pode ser também uma empresa familiar? Pode. Chama-se Bial, está nas mãos da 4.ª geração da família Portela, foi responsável pela criação do primeiro medicamento de patente 100% portuguesa e está representada em cerca de 50 países.

É uma história com quase 90 anos, que começou quando Álvaro Portela fundou uma pequena farmacêutica, nas traseiras da Farmácia do Padrão, na Baixa do Porto. O patrão da farmácia, o senhor Almeida, juntou-se ao ideólogo e assim se cunhou o nome da empresa: dois "Al" (Alberto mais Almeida), igual a "Bial".

Porém, foi pela mão dos Portela que a Bial se foi desenvolvendo. A Álvaro sucederam o filho, António Emílio (1962), e o neto, Luís (1979). E, agora, é o bisneto, António, de 36 anos, que gere os destinos (desde o início do ano).

Com o passar dos anos, a empresa "foi crescendo e foi-se industrializando", descreve António Portela, o actual CEO, com a história do projecto na ponta da língua. "O meu bisavô lançou uma marca de grande sucesso, que dinamizou muito a Bial, que foi o Benzo-Diacol, um produto para a tosse que ainda hoje tem um sucedâneo, o Diacol. No tempo do meu avô, começou a haver mais industrialização e alguma internacionalização da empresa. E no tempo do meu pai houve uma clara aposta na investigação e desenvolvimento, algo que não existia até aí", relata.

Essa aposta levou ao surgimento do primeiro fármaco com patente nacional: o antiepilético Zebinix, que foi lançado em meados do ano passado e já está à venda em 16 países. "Todos os anos são lançados apenas vinte e poucos medicamentos a nível mundial. Entrar nesse clube restrito é um orgulho muito grande. E o mérito é do meu pai [actual chairman, com funções não executivas] e da equipa dele, que conseguiram, ao longo de 20 anos, estabelecer uma unidade de investigação e desenvolvimento de alto nível, que tem mais de 100 pessoas", assume António Portela.

Afinal, na empresa, agora estabelecida em São Mamede do Coronado (concelho da Trofa), a investigação caminha de braço dado com os interesses comerciais. "O meu pai é médico e só veio tão cedo para a Bial devido ao falecimento prematuro do meu avô. Por isso, tentou dar oportunidades a outros de fazerem a investigação que ele não pôde realizar", explica António Portela. Foi assim que surgiu a Fundação Bial, "que tem associado o Prémio Bial, um dos maiores na área da saúde na Europa e que procura premiar obras de grande mérito, incentivando que se investiguem coisas que não são comercialmente atractivas". E é fruto do forte investimento da farmacêutica no departamento de Investigação e Desenvolvimento, que também já está a caminho aquela que pode ser a segunda patente nacional: "Neste momento o nosso desejo é trazer novas moléculas ao mercado. Temos uma para o tratamento de Parkinson já na última fase de testes e esperamos tê-la no mercado, em todo o mundo, em 2014 ou 2015."

António Portela resume tudo isto numa filosofia: "O que queremos é que a nossa empresa continue a gerar medicamentos inovadores e que, ao mesmo tempo, se torne cada vez mais global." Afinal, a Bial de hoje já não é apenas aquela farmacêutica que o português comum associa a "remédios" como o anti-inflamatório Reumon (gel ou loção) ou o antibiótico Clavamox. Além de estar em 50 países, cerca de 40% das suas vendas são exportações.

Mas António quer mais. Quer "crescer e consolidar" o trabalho do pai, agora que a empresa está nas mãos dele e do irmão mais novo (Miguel, responsável pela área corporate). E sorri com o que faz: "É bom saber que aquilo que fazemos ajuda as pessoas."

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