José Penedos mostra desagrado em comentar conversas com o filho Paulo Penedos

O ex-presidente da REN, José Penedos, arguido no processo 'Face Oculta', mostrou hoje desagrado em comentar as conversas onde não intervém, após voltar a ser confrontado pelo tribunal com escutas entre o filho Paulo Penedos e Manuel Godinho, igualmente arguidos.

"Não tenho condições para avaliar escutas das quais eu não sou parte interveniente", afirmou o ex-presidente da REN (Redes Energéticas Nacionais), que está a ser ouvido pelo segundo dia consecutivo no tribunal de Aveiro, onde decorre a quarta sessão do julgamento.

"Não me pronuncio sobre conversas de terceiros", insistiu, realçando ainda que não pode ter nenhuma responsabilidade pelos actos que o seu filho, de 40 anos, pratica.

Durante a sessão da manhã, José Penedos voltou a ser interrogado sobre vários concursos e consultas públicas de adjudicação de contratos de compra e venda e de prestação de serviços na área dos resíduos lançados pela REN e se, tal como a acusação sustenta, foram dadas informações privilegiadas a Paulo Penedos no sentido de satisfazer os interesses da 'O2', de Manuel Godinho.

O ex-presidente da REN e antigo secretário de Estado voltou a admitir ter conversas em família sobre "questões gerais", nomeadamente sobre o processo relativo à recolha e acondicionamento dos resíduos existentes na ex-central da Tapada do Outeiro.

Contudo, sublinhou não haver no seu comportamento "qualquer incumprimento dos [seus] deveres fiduciários" para com a REN nem para os acionistas da empresa. "Talvez isso tenha estado na origem da minha saída da REN", concluiu.

O juiz presidente voltou a questionar o antigo responsável pela empresa que gere as Redes Energéticas Nacionais sobre as prendas natalícias entregues por Manuel Godinho, ao que este reafirmou não conhecer a origem destas.

Ainda a propósito das prendas natalícias, José Penedos contou ao tribunal um episódio que decorreu na véspera de Natal, em 1968, quando recebeu em sua casa um cabaz de natal e pediu para o devolver.

"No dia seguinte apareceu no escritório a pessoa que tinha enviado o cabaz a protestar [e dizendo] que não podia recusar a prenda de Natal dele. Podem pensar o que quiserem, mas isto marcou-me para o resto da minha vida", afirmou o arguido, acrescentando que, desde então, passou a abstrair-se de quem lhe manda as prendas.

Cerca das 12:10, o juiz presidente Raul Cordeiro deu por concluído o interrogatório a José Penedos e interrompeu a sessão, que recomeçará ao início da tarde com o ex-presidente da REN a responder às questões dos procuradores do Ministério Público.

O antigo secretário de Estado deverá depois ser interrogado pelos advogados dos assistentes no processo, nomeadamente da REN, e pelos advogados de defesa, incluindo Rui Patrício, o seu defensor.

José Penedos, que é acusado de dois crimes de corrupção e outros dois de participação económica em negócio, é o segundo arguido a ser ouvido pelo tribunal, desde que começou o julgamento, na passada terça-feira. O primeiro foi o antigo ministro e ex-vice presidente do BCP, Armando Vara.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG