Advogados de defesa discordam da junção ao processo

Os advogados de defesa do processo Face Oculta ouviram hoje as escutas que o Ministério Público pretende ver transcritas e discordam da sua junção ao processo, disse aos jornalistas Tiago Bastos, advogado de Armando Vara.

Escusando-se a revelar o conteúdo da conversa telefónica em causa, Tiago Bastos desvalorizou a sua importância, afirmando ser já conhecida "mais palavra, menos palavra", pelo resumo nos autos e "em páginas de jornais" e sem interesse processual.

"O que eu ouvi justifica a posição que já tomei sobre a matéria. Todos nós já sabíamos, com mais ou menos palavra, o que lá está. Já veio em resumo nos autos e em páginas de jornais e não adianta rigorosamente nada. Salvo melhor opinião não tem interesse para o processo", disse.

Tiago Bastos mantém as razões que o levaram a deduzir oposição e garante que Armando Vara "está disponível para ser confrontado com o que quiserem, dentro das regras de lealdade que um processo comporta".

"A minha interpretação é de que novas provas para o processo só devem ocorrer quando alguma coisa de novo o justifique. Não para trazer prova que se entendeu não ter interesse para o processo e que agora, por alguma razão que não consigo escrutinar totalmente, se passou a entender que tinha.

Essa era uma avaliação que o Ministério Público devia ter feito a seu tempo e não o fez", criticou.

Segundo aquele causídico, trata-se de uma "posição unânime dos advogados mandatários": "não ouvi nenhuma voz dissonante da parte da defesa, de que não é possível fazer esta junção nesta fase do processo".

Juízes, público e jornalistas saíram da sala de audiências, após terem ouvido José Penedos, para os advogados ouvirem as escutas ainda não transcritas e dizerem se entendem que devem ser admitidas como meio de prova, como foi requerido pela acusação.

O interrogatório a José Penedos vai ser retomado quarta-feira, sendo que na véspera, por motivos de agenda, o Tribunal vai ouvir o arguido Lopes Barreira.

O caso 'Face Oculta', que começou a ser julgado terça-feira, está relacionado com uma alegada rede de corrupção que tinha como objectivo o favorecimento de um grupo empresarial de Ovar ligado ao ramo das sucatas nos negócios com empresas do sector empresarial do Estado e privadas.

No banco dos réus estão sentados 36 arguidos (34 pessoas e duas empresas) - entre os quais o ex-ministro socialista Armando Vara e o ex-presidente da Redes Energéticas nacionais (REN) José Penedos -, que respondem por centenas de crimes de burla, branqueamento de capitais, corrupção e tráfico de influências.

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