Horta e Costa nega comissão pela venda de prédio

O ex-administrador dos CTT Horta e Costa negou hoje ter recebido qualquer comissão pela venda de um edifício dos Correios em Coimbra, que está a ser investigada pela Policia Judiciária (PJ).

"Nunca recebi na vida nenhuma comissão fosse pelo que fosse. É difamatório fazerem estas acusações. Eles [a PJ] que façam a prova e, se recebi algum dinheiro, queria saber onde está", afirmou à Lusa Horta e Costa, presidente do Conselho de Administração (CA) dos CTT de 2002 a 2005.

Uma fonte judicial disse hoje à Lusa que os investigadores do caso CTT suspeitam que na venda de um edifício dos Correios em Coimbra foi entregue um milhão de euros, ou parte deste montante, aos ex-administradores Carlos Horta e Costa e Manuel Baptista, quantia que terá passado pelo BPN rumo a paraísos fiscais.

O prédio dos CTT em Coimbra foi vendido em 20 de Março de 2003 por 14.814.297,54 euros à empresa DEMAGRE, que, no mesmo dia, revendeu o imóvel à ESAF - Espírito Santo Fundos de Investimento, SA, por 20 milhões de euros.

"Porque é que alguém comprou por 20 milhões, quando meia hora antes podia ter comprado por 15 milhões? Isso é que ninguém pergunta", disse o ex-administrador dos CTT.

Sobre o valor pelo qual os CTT venderam o prédio, que rondou os 15 milhões, Horta e Costa afirmou ter sido um montante "proposto pelos serviços" dos CTT.

"O prédio teve duas avaliações, entre os 12 e os 16 milhões, e já se andava há vários anos a tentar vendê-lo", explicou.

Questionado pela Lusa sobre as razões que poderão estar por detrás do que chama uma "campanha difamatória", o ex-administrador disse: "Se calhar queriam que a nossa administração não tivesse feito nada pelos CTT, que pusemos a dar lucro. Além de que politicamente, nesta altura, é bom desviar as atenções".

Horta e Costa admitiu já ter sido ouvido pela PJ no âmbito da investigação que foi aberta sobre a venda deste imóvel em Coimbra, mas uma única vez, em Outubro do ano passado.

A PJ anunciou na semana passada a conclusão do relatório da investigação, que tem 52 arguidos suspeitos de crimes de administração danosa, corrupção, prevaricação, tráfico de influências, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação de documentos, entre outros.

Fonte judicial indicou que todos os membros do CA liderado por Carlos Horta e Costa foram constituídos arguidos por terem tomado decisões patrimonialmente lesivas para os CTT, as quais resultaram também numa vantagem patrimonial para as empresas privadas envolvidas em negócios com os Correios.

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