Projecto ibérico custa menos de 20 milhões de euros

A um mês do anúncio da FIFA sobre o organizador do torneio, o DN revela as últimas iniciativas para conquistar votos

A um mês do anúncio da atribuição da organização dos Campeonatos do Mundo de futebol de 2018 e 2022, a candidatura Ibérica prepara os últimos pormenores para tentar convencer os membros do Comité Executivo da FIFA a atribuírem a Portugal e Espanha a responsabilidade de organizar um desses torneios. Sem grandes trunfos na manga, as iniciativas projectadas até 2 de Dezembro, dia em que serão anunciados os vencedores, visam sobretudo reafirmar a união dos dois países em torno de um objectivo comum.

A primeira acção visível será no dia 17 de Novembro no Estádio da Luz, proposto para palco de uma das meias-finais, minutos antes do início do jogo particular entre Portugal e Espanha. Miguel Ángel López, director-geral da candidatura ibérica, não quis revelar pormenores, mas sempre foi dizendo ao DN que "será uma acção formal protagonizada pelos jogadores", na qual será demonstrada "a união e o apoio" de todos.

Mas há mais. A jornadas das ligas portuguesa e espanhola que se realizam no fim-de-semana antes da decisão da FIFA, em Zurique, serão alvo de uma outra acção de promoção protagonizada pelos adeptos dos dois países. "Em Espanha há um grupo de adeptos das 1.ª e 2.ª divisões que está a organizar, conjuntamente com organizações portuguesas, uma acção conjunta em todas as partidas desse fim-de-semana na Península Ibérica", revelou o director-geral.

A discrição tem sido uma das linhas orientadoras deste projecto, por isso, segundo revela Miguel Ángel López, "tem sido gasto pouco dinheiro". Sem querer revelar verbas concretas, o director-geral do projecto ibérico assume que foram gastos menos de 20 milhões de euros. "Há candidaturas a investir 50 milhões de euros, e posso dizer que nós não chegamos a investir 10% dessa verba", assegurou, acrescentando que o objectivo tem sido "trabalhar para mostrar à FIFA a realidade dos dois países, que têm todas as infra-estruturas, desde auto-estradas, aeroportos, hotéis e estádios. Além disso, há a aposta numa ligação Lisboa-Madrid através do comboio de alta velocidade".

No último mês até ao anúncio da FIFA, cuja cerimónia está marcada para a cidade suíça de Zurique, no Centro de Conferências Messe, jogam-se de facto os últimos trunfos, mas todas as candidaturas têm estudos - uma espécie de sondagem à boca das urnas - que revelam as probabilidades de serem as escolhidas. E, nessa perspectiva, Portugal e Espanha têm a sua contabilidade feita. Talvez por isso a confiança seja, nesta altura, a palavra de ordem. "Somos uma candidatura muito forte e, como tal, estamos moderadamente optimistas", reforçou Miguel Ángel López em conversa com o DN, acrescentando que, ao contrário dos outros concorrentes, "a candidatura ibérica tem todo o projecto no seu site oficial".

"Não temos nada a esconder", frisou, enaltecendo aquele que é um dos grandes trunfos a apresentar ao Comité Executivo: "Nenhum país tem para oferecer a qualidade de turismo que nós temos, o sol, as praias e os hotéis. Aliás, sabemos que um dos grandes problemas da Inglaterra tem sido precisamente a sua capacidade hoteleira", que a FIFA recomendou que fosse melhorada.

Mas há mais trunfos que podem jogar a favor da candidatura luso-espanhola. Desde logo a união que existe entre as duas federações. "A FIFA já nos informou que estão encantados com o facto de apresentarmos todos os projectos juntos, de viajarmos juntos, de haver uma grande coordenação entre as autoridades dos dois países em questões de segurança. No fundo, formarmos uma piña [força única]", revelou, num claro sinal de que as reservas daquele organismo relativamente a candidaturas conjuntas, que poderiam funcionar contra as pretensões ibéricas, estão ultrapassadas. Por outro lado, há, segundo Miguel Ángel López, uma grande mais-valia, da qual podem ser retirados benefícios decisivos, que se prende com a experiência e o êxito da organização portuguesa no Euro 2004.

Nos 30 dias que se seguem serão queimados os últimos cartuchos. Ibéricos, russos, ingleses e a união de holandeses e belgas vão procurar convencer os indecisos sobre as vantagens e as qualidades dos seus projectos. À FIFA cabe a última palavra.

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