Lucro do projecto ibérico estimado em 3,3 mil milhões

Receitas indirectas devem ser seis vezes e meia superiores ao investimento. Portugal encaixa mil milhões 

As receitas televisivas, marketing, patrocínios e bilheteira são as mais relevantes no apuramento dos resultados directos de uma competições com a dimensão de um Mundial de futebol, Europeu e Jogos Olímpicos. No seu orçamento, a candidatura ibérica estima realizar no mínimo 510 milhões de euros com os últimos três itens (o montante dos direitos televisivos não estão quantificados), apesar de as previsões relativas a estas receitas terem sido calculadas por defeito, com base nos valores praticados na actualidade, a oito anos da realização do Mundial.

A estes valores há a encaixar as receitas indirectas, que segundo um estudo ao Instituto Superior de Economia e Gestão, recentemente divulgado, estima que Portugal tenha uma receita de cerca de mil milhões de euros. Uma vez que a proporção quer das despesas quer das receitas é de 70% para Espanha e 30% para Portugal , o que significa que os espanhóis teriam receitas indirectas no valor de de 2,3 mil milhões, no total de 3,3 mil milhões.

O mesmo estudo prevê que a organização do torneio se traduza num lucro imediato seis vezes e meia superior ao investimento (510 milhões).

Das receitas directas já quantificadas e que surgem no orçamento enviado para a FIFA, a bilhética surge como a maior fonte de entrada de dinheiro, com Portugal e Espanha a preverem realizar 356 milhões de euros nos 3,6 milhões de ingressos que estimam vender (apenas foram contabilizados 80% da capacidade total dos estádios).

Com o marketing e patrocinadores, o projecto ibérico incluiu na rubrica das receitas 145 milhões de euros, um valor estimado ao preço dos valores de mercados que se praticam actualmente. Já relativamente aos contratos de cedência dos direitos televisivos (a maior fatia das receitas) não existe cálculo no orçamento, havendo no entanto valores de referência. Na África do Sul, a FIFA arrecadou perto de 435 milhões pela transmissão dos jogos. Montante que muito contribuiu para as contas anuais da FIFA, que em 2009 (no qual estão inseridos os contratos televisivos do Mundial 2010), superou os 750 milhões de receitas.

Se a candidatura ibérica vencer, a FIFA não terá de entrar com qualquer comparticipação, ao contrário do que, por exemplo, se passaria com o projecto russo, que tem prevista a construção de 13 estádios. Se a Rússia vencer, a FIFA terá de adiantar um considerável montante daquele a que cada organizador tem direito, mas que só é calculado no final do torneio. Da FIFA, a candidatura vencedora garante sempre o pagamento de no mínimo 400 milhões de euros. Esse valor pode ser depois reajustado tendo em conta as receitas obtidas com a prova.

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