Série A, uma espécie de ano um depois de Mourinho

O campeonato italiano arranca sob o efeito da ressaca de  José Mourinho, que deixou o Inter pentacampeão nacional e campeão europeu. Rafael Benítez, seu 'arqui-inimigo', toma-lhe o lugar

Começa este fim-de-semana a Série A e com ela uma nova etapa na liga italiana: o primeiro ano pós- -Mourinho. O português dominou o futebol doméstico e, mais do que isso, recuperou o calcio para o topo da Europa. O desafio imediato passa por conservar o lugar conquistado a pulso. O que é um desafio difícil, sem dúvida.

Difícil sobretudo porque a liga italiana perde capacidade de atrair os melhores valores de ano para ano. Continua a gastar muito - até agora gastou mais do que a liga espanhola, por exemplo -, mas gasta o dinheiro sobretudo em transferências internas: o maior negócio foi Leonardo Bonucci, do Bari para a Juventus, por 15,5 milhões de euros.

Ora, por falar em Juventus, convém nesta altura introduzir o segundo desafio da nova época italiana: ameaçar o domínio do Inter. A formação de Turim é, nesse aspecto, o caso mais evidente. Aproveitando a mudança de paradigma no pentacampeão italiano, a Juventus investiu como mais ninguém no reforço do plantel: 50 milhões de euros.

Assegurou jogadores como Krasic, Bonucci, Martinez ou Aquilani e afirma-se como a maior ameaça ao Inter, que parte para a nova época praticamente com o mesmo plantel da última época. Só trocou o irreverente Mario Balotelli pelo promissor brasileiro Philippe Coutinho. O campeão - cinco vezes campeão, aliás - aposta claramente na continuidade da última época.

Perdeu Mourinho, é verdade, mas assegurou Rafa Benítez, que goza pelo menos de dois méritos: tem algumas semelhanças com o português e é o único treinador da Série A que já foi campeão nacional. A Juventus aposta em Del Neri, o Milan coloca tudo nas mãos do pouco experiente Allegri e a Roma joga com o eterno candidato Ranieri.

Os três nunca ganharam um campeonato nacional em lado nenhum. Outra curiosidade: Benítez e Ranieri são dois dos treinadores mais hostis a Mourinho, enquanto Del Neri e Allegri faziam parte do grupo que se relacionava bem com o português. O que faz suspeitar que Mourinho abriu uma porta a novas apostas nos grandes clubes italianos.

Refira-se que Milan e Roma estão também eles numa linha de continuidade. O Milan contratou apenas Boateng, Mario Yepes e Papastathopoulos, enquanto a Roma aposta na recuperação do problemático brasileiro Adriano. Feitas as contas, ambos gastaram menos do que, por exemplo, Génova, Sampdoria, Palermo, Parma, Fiorentina, Lázio ou até Bari.

O dinheiro, porém, há muito deixou de ser um indicador de qualidade no cada vez mais pobre futebol italiano. Sem capacidade para ir comprar os melhores jogadores das ligas espanhola e inglesa, a Série A afirma-se pela capacidade de formar equipas competitivas e mentalmente fortes. Como Mourinho fazia tão bem. Depois dele, quem se segue?

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