Doping mancha hipismo

Modalidade volta à polémica nos Jogos Olímpicos. Nova técnica 'apanhou' quatro cavalos e ameaça bronze da Noruega

Quatro cavaleiros deverão ser expulsos de Pequim 2008. Testes de doping realizados aos cavalos detectaram um analgésico ilegal e deverão tirar à Noruega a medalha de bronze conquistada na prova de saltos por equipa. Depois da desclassificação de dois campeões em Atenas 2004, a equitação voltou a manchar os Jogos Olímpicos com problemas de dopagem.

Não é só no ciclismo ou no atletismo que se usam fármacos sofisticados, na esperança que sejam indetectáveis nas análises. Aos cavalos foi aplicada uma pomada ou uma loção com capsaicina, um analgésico que provoca uma sensação de ardor e um aumento da sensibilidade nas pernas dos cavalos, levando-os a saltar mais alto para evitar o toque nos obstáculos, explicou à AFP Paul  Farrington,  do comité veterinário da Federação Internacional de Desportos Equestres.

Até há pouco tempo não se conseguia detectar este analgésico com capsaicina (alcalóide cristalino que dá o sabor picante às pimentas, à malagueta e ao gengibre). Mas o risco deixou de compensar o uso deste medicamento. "Um teste foi recentemente desenvolvido para detectar a capsaicina", disse Paul  Farrington.

Caíram na armadilha o brasileiro Bernando Alves, com o cavalo Chupa Chup, o alemão Christian Ahlmann, que monta o Coster, o irlandês Denis Lynch, com o cavalo Latinus, e o norueguês Tony Andre Hansen, que, montando o Camiro, fez parte da equipa que ficou em terceiro no concurso colectivo de saltos. Se Hansen for punido, a Noruega cairá na classificação e a Suíça ficará com o bronze.

Os cavaleiros com controlos positivos foram ontem afastados do concurso individual de saltos, realizado ontem no clube de jóquei de Hong Kong, onde existe um laboratório de análises mundialmente conceituado.

Atenas 2004 teve dois campeões desclassificados

Dois campeões da equitação foram desclassificados em Atenas 2004, por doping. A Alemanha perdeu a medalha de ouro e teve de se contentar com o bronze no concurso colectivo de saltos, devido a um controlo positivo do cavalo de Ludger Beerbaum, o Goldfever, que fora tratado a uma ferida com betametasona, um anti-inflamatório de acção prolongada, sem que alguém tivesse notificado as autoridades. O irlandês Cian O'Connor também teve de devolvero ouro que ganhara no concurso de salto individual de obstáculos. Análises à urina e ao sangue do cavalo Waterford Crystal detectaram flufenazina e zuclopentixol, antipsicóticos humanos.

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